I · A Emanação dos Seres
um dos últimos amigos de Fabre d’olivet, e o executor testamentário de Joseph Gilbert, ele mesmo o único herdeiro dos documentos do teósofo de Amboise.
Atualmente estão nas mãos de M. Matter, o filho do historiador, que possui quase a totalidade destes documentos, cujo “Tratado da reintegração dos seres”, é uma das mais interessantes e importantes, por conter a substância da tradicional doutrina, sem qualquer adição ou substração, de Martinez de Pasqually, e que nos autorizaram tão graciosamente a publicar. Este tratado, que foi escrito em Bordeaux durante o ano de 1770, falta aos arquivos principais de Merz. Aqueles do V.˙. de Libourne só continham as passagens principais. Estas, bastante mal escritas e com varias lacunas, estavam dispersas entre as diversas instruções de rituais, de tal sorte que foi muito difícil reconstituir a obra de Pasqually. Nunca será demais agradecer a estes interessados de M. Matter.
Mais para frente surgirão, a seu devido tempo, outras peças não menos importantes e que lançarão um nova luz sobre as coisas e homens daquela época.
UM CAVALEIRO ROSA-CRUZ
TRATADO DA REINTEGRAÇÃO DOS SERES CRIADOS NAS SUAS, PRIMITIVAS PROPRIEDADES, VIRTUDES E PODERES ESPIRITUAIS E DIVINOS
Antes do mundo, esses seres espirituais, para na própria glória, na sua imensidão divina. Esses seres deviam exercer um culto que a Divindade lhes fixara em léis, preceitos e mandamentos
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eternos. Eles eram livres e distintos do Criador; e não se pode recusar-lhes a faculdade, a propriedade, a virtude espiritual e pessoal que lhes eram necessárias para operar com precisão nos limites em que deviam exercer o seu domínio. Era precisamente nesses limites que esses primeiros seres espirituais deviam prestar ao Criador o culto para o qual haviam sido emanados. Estes primeiros seres não podendo negar ou ignorar as convenções que o Criador produziu com eles ao dar-lhes leis, preceitos, mandamentos, pois era das mesmas convenções que assentava a sua emanação.
Pergunta-se : O que eram estes primeiros seres antes da sua emanação divina, existiam ou não existiam? Existiam no seio da Divindade, mas sem distinção de ação, de pensamento e de entendimento particular, não podiam agir nem sentir senão pela vontade do seu superior que os continha e no qual tudo se animava; ao que, na verdade, não se pode chamar existir; no entanto esta existência em Deus é de uma necessidade absoluta; é ela que constitui a imensidão da potência Divina. Deus não seria o pai e o senhor de todas as coisas se não tivesse inata em si uma fonte inesgotável de seres que emana da sua pura vontade e quando lhe apraz. É essa multidão infinita de emanações de seres espirituais de si mesmo que leva o nome de Criador, a quem todas as obras de criação divina, espiritual e animal, espiritual temporal pertencem.
Os primeiros espíritos emanados dos seios da Divindade eram distintos entre si pelas suas virtudes, seus poderes e seus nomes. Eles ocupavam a imensa circunferência espiritual divina vulgarmente chamada Dominação, e que leva o seu número denário segundo a seguinte figura: Φ, e é que todo espírito superior 10, maior 8, inferior e menor 4, devia agir e operar para a maior glória do Criador. Aqui a demonstração ou seu número prova que a sua emanação provém realmente da quádrupla essência divina. Os nomes dessas quatro classes de espíritos eram mais fortes que os outros, segundo o número de seus diversos princípios denários: Querubins, Serafins, Arcanjos e Anjos, ainda são denominados por estes quatro primeiros principios de seres espirituais continham, além disso, em si, como dissemos, uma parte da dominação divina; uma potência superior, maior, inferior e menor, mediante a qual conheciam tudo o que podia existir, ou se conter nos seres espirituais inatos das emanados do seio da Divindade.
Como poderiam eles ter conhecimento das coisas que então existiam ainda distintas e fora do seio do Criador? É que estes primeiros chefes emanados no primeiro círculo, misteriosamente chamado círculo denário, tiram claramente e com exatidão o que se passava na Divindade; assim como tudo o que nela se continha. Não pode haver a menor dúvida sobre o que aqui afirmo, estando perfeitamente convicto de que só o espírito é capaz de ver, de ver e de conceber o espírito. Estes primeiros chefes tinham um conhecimento perfeito de toda a ação divina, pois faziam parte das emanados do seio do Criador são os que mais devem testemunhar em todas as operações divinas e manifestações da pura ação.
Terão estes chefes espirituais divinos conservado o seu primeiro estado de virtude e potência divina após terem prevaricado? Sim, eles conservaram-na de poderem fazer estes decretos do Eterno, pois se o Criador tivesse retirado todas as virtudes e potências que conferira reversíveis aos primeiros espíritos, não tinha mais alguma manifestação da pura ação divina, e a justiça e de potência divina sobre estes espíritos prevaricadores. Aos que me disserem que o Criador devia ter previsto a prevaricação destes primeiros espíritos emanados, contra as suas leis, preceitos e mandamentos, respondo : que ele incumbia comtê-los nos limites da justiça, responderei que embora o Criador tivesse previsto a orgulhosa ambição desses espíritos, não podia, de modo algum, conter e deter-lhes os pensamentos criminosos sem privá-los assim da ação particular nesta zona, tendo sido criado pelo Criador. O Criador não tem qualquer lugar entre as causas segundas espirituais boas e más, tendo o próprio fundado todo o ser espiritual com base em léis imutáveis; deste modo, todo o ser espiritual é livre de agir segundo a sua vontade e a sua determinação particular, tal como o próprio Criador lhe disse à criatura; e todos os dias os nossos próprios olhos nos fazem confirmar.
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Se me perguntarem qual o género de prevaricação destes espíritos, que levou o Criador a usar da força da lei divina contra eles, responderei que estes espíritos eram emanados apenas para agir como causas segundas, e de modo algum para exercerem a sua predição sobre as causas primeiras ou sobre a ação da própria Divindade; uma vez que estes agentes secundários que eram apenas, deviam zelar pela sua potência, virtude e operações secundárias, e nunca procurar antecipar-se ao pensamento do Criador em todas as suas operações de criação, num tempos passadas como presentes e futuras. Eis o seu crime foi:
1°: terem querido condenar a eternidade divina nas suas operações de criação;
2°: terem querido confinar a Suma potência Divina nessas mesmas operações;
3°: terem conduzido o seu pensamento espiritual até pretenderem ser Criadores das causas terceiras e quartas, que sabiam serem inatas no Suma-Potência do Criador, a que nós chamamos quádrupla essência divina.
Como podiam eles condenar a Eternidade Divina?
Era pretendendo atribuir ao Eterno uma emanação igual à deles, tomando o Criador por um ser semelhante a eles; e que em conseqüência deviam deles nascer criaturas espirituais que deles dependeriam inteiramente, assim como eles dependiam daquele que os havia emanado. Eis aquilo a que chamamos o princípio do mal espiritual, convicto como estamos de que toda a má vontade concebida pelo espírito é sempre criminosa perante o Criador, mesmo quando o espírito não a realize como ação efetiva. Foi para punição desta simples vontade criminosa que os espíritos, unicamente pela potência do Criador, foram precipitados em lugares de sujeição, de privação e de miséria impura e contrária ao seu ser espiritual, que era puro e simples, o que a seguir explicaremos.
Tendo estes primeiros espíritos concebido o seu pensamento criminoso, o Criador deu força de lei à sua imutabilidade criando o universo físico, em aparência de forma material, para ser o lugar fixo onde estes espíritos perversos deveriam agir e exercer em privação toda a sua malícia. Não se deve comprender neste estado de matéria o homem ou o menor que se acha hoje no centro da superfície terrestre, visto que o homem não devia usar de nenhuma forma dessa matéria aparente, não tendo sido emanado e emancipado antes de si. O homem só foi emanado depois que este universo foi criado pela Suma-Potência Divina para ser o asilo dos primeiros espíritos perversos e o reduto das suas más obras, que não poderia nunca prevalecer sobre as leis de ordem que o Criador conferia à sua criação universal. Ela possuía as mesmas virtudes e potências que os primeiros espíritos, e embora fosse emanado depois deles tornou-se-lhes superior e principalmente pelo seu estado de glória e por força do mandamento recebido do Criador. Ele conhecia perfeitamente a necessidade da criação universal; ele conhecia ainda a utilidade e a santidade da sua própria emanação, assim como a forma gloriosa de que se achava revestido, para agir em todas as suas vontades sobre as formas corporais ativas e passivas. Eu nesse estado que ele devia manifestar toda a sua potência para a maior glória do Criador face à criação universal, geral e particular.
Distinguimos aqui o universo em três partes, para ajudar a conceb-lo ao nossos émulos com todas as faculdades de ações espirituais:
1°: o universo, que é uma circunferência onde se contém o geral e o particular;
2°: a terra, ou a parte geral da qual emanam todos os alimentos necessários a substanciar o particular;
3° o particular, composto de todos os habitantes dos espíritos celestes e terrestres. Eis a divisão que faremos da criação universal, para que os nossos émulos possam conceber, e operar com distinção e conhecimento de causa em cada uma destas três partes.
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Adão, no seu primeiro estado de glória, era o verdadeiro émulo do Criador. Sendo um puro espírito, lia como num livro aberto, os pensamentos e as operações divinas. O Criador fê-lo conceber os três principios que compartilham o universo, e, para o efeito, disse-lhe: “Impõe-te a todos os animais ativos e passivos e eles obedecerão”. Adão executou o que lhe dissera o Criador; viu assim quão grande era o seu poder, e aprendeu a conceber com exatidão uma parte de todo que constitui o universo. A esta parte nós chamamos o particular, composto de todos os seres ativos e passivos habitando a superfície terrestre e o seu centro até o centro celeste chamado misteriosamente céu de Saturno.
Depois desta operação, disse o Criador à sua criatura: “Impõe-te ao geral ou à terra, e te obedecerá”. Assim fez Adão. E viu que grande era o seu poder e conheceu com exatidão o segundo título de que se compõe o universo. Após estas duas operações, o Criador disse à sua criatura: “Impõe-te a todo o universo criado, e todos os seus habitantes te obedecerão”. Adão executou a palavra do Eterno; e foi mediante esta terceira operação que ele aprendeu a conhecer a criação universal.
Adão, tendo assim operado e manifestado a sua vontade conforme o Criador, dele recebeu o nome augusto de Homem-Deus da terra universal, pois se devia extrair uma posteridade de Deus e não uma posteridade carnal. Deve notar-se que na primeira operação Adão recebeu a lei; na segunda, recebeu o preceito, e na terceira, o mandamento. Nor estas três ordens de operação vemos claramente quais os limites da potência, virtude e força dada pelo Criador à criatura, assim como os que se impuseram aos primeiros espíritos perversos.
O Criador tendo satisfeito a sua criatura com a virtude, força e potência nela inatas, e mediante as quais podia agir à sua vontade, abandonou-a ao seu livre arbítrio, tendo-a emancipado de uma maneira distinta da imensidão divina com essa liberdade, a fim de que a sua criatura tivesse o usufruto particular e pessoal, para um tempo e futuro, por uma eternidade ativa, na condição de se conformar à vontade do Criador.
Adão entregue ao seu livre arbítrio, reflitiu sobre a grande potência manifestada pelas suas três primeiras operações. Considerou o seu trabalho quase tão grande como o do Criador. Mas, não podendo por si próprio aprofundar perfeitamente essas três primeiras operações nem as do Criador, começaram a perturbá-lo as reflexões sobre a suma potência divina, na qual não podia ler sem o consentimento do Criador, conforme o ensinamento das ordens dadas pelo próprio Criador de exercer o seu poder sobre tudo o seu domínio, antes de deixá-lo entregar à liberdade das suas vontades. As reflexões de Adão, assim como o pensamento dos primeiros espíritos perversos, a que chamamos mais demónios, pois que conceberam esse pensamento, lhe surgiu um dos principais espíritos perversos sob a forma aparente de corpo glorioso, e tendo-se aproximado de Adão, disse-lhe: “Que mais desejas conhecer do todo-poderoso Criador? Não fez ele de ti o seu igual, dando-te uma potência que te infundiu? Age segundo a vontade que te é inata, e opera na qualidade de ser livre, seja sobre a Divindade ou toda criação universal submetida ao teu governo. Comprenderás desde logo que a tua suma potência em nada difere da do Criador. Ficarás, a saber, que não és tu criador da potência particular, mas ainda criador da potência universal com foi dito que de ti devia nome que te falou”.
Ante a fala do espírito demoníaco, Adão ficou como que em inação, e sentiu nascer em si uma emoção violenta que o mergulhou no êxtase. Foi nesse estado que o espírito maligno lhe insinuou a sua potência demoníaca, de volta de um êxtase espiritual animal, tendo então guardado uma má impressão do demónio, resolveu operar a ciência demoníaca de preferência à ciência divina que o Criador lhe dera para sujeitar todos os seres inferiores a ele. Rejeitou inteiramente o seu próprio pensamento espiritual divino, para apenas usar daquele que o espírito maligno lhe sugeria.
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Adão operou, pois o pensamento demoníaco fazendo uma quarta operação na qual utilizou todas as palavras poderosas do Criador que lhe transmitira para as suas três primeiras operações, embora tenha rejeitado inteiramente o cerimonial destas mesmas operações. Utilizou de preferência o cerimonial que o demónio lhe ensinara, assim como o plano que dera obtivera para atacar a imutabilidade do Criador.
Adão repetiu o que os primeiros espíritos perversos tinham concebido operar para se tornarem criadores em prejuízo das leis que o Eterno lhes havia prescrito para lhes servirem de limite nas suas operações espirituais divinas. Esses primeiros espíritos malignos deviam conceber no entender em matéria de criação, pois não eram mais que criaturas do espírito; e Adão também conviria como ele não devia sujeitar à ambição da criação de seres espirituais que foi sugerida pelo demónio.
Vimos que, mal esses demónios ou espíritos perversos conceberam operar a sua vontade de emanação semelhante a que havia operado o Criador, foram precipitados pela vontade imutável do Criador. Esta queda e este castigo provam-nos que o Criador não pode ignorar o pensamento e a vontade da sua criatura; esse pensamento e essa vontade, quer bons ou maus, vão fazer-se atender diretamente pelo Criador, que era do real ou da sujeira. Seria pois errado dizer que o mal vem do Criador, a pretexto de tudo ser sua emanação. Do Criador saíram todos os seres espirituais, bons, sãos e perfeitos; nenhum mal é ou poderá ser dele emanado. Mas, perguntar-se-á, donde é emanado o mal? Direi que o mal é engendrado pelo espírito e não criado; a criação pertence ao Criador, e não à criatura; os maus pensamentos são engendrados do mau espírito, assim como os bons engendrados pelo bom espírito, assim como vemos que pode também fazê-lo permanecer por tempo infinito na privação de seu direito espiritual.
Falarei em outro, ponto mais amplamente desta misericórdia do Criador. Voltarei ainda do engendramento do mal ocasionado pela má vontade do espírito, e direi que o mau pensamento se chama espiritualmente mau intelecto, assim como o engendramento do bom pensamento, se chama bom intelecto. E pois ainda saimos da definição de uns espíritos bons e maus se communicam com o homem e lhe fazem reter uma impressão qualquer, conforme ele usa do seu livre arbítrio para rejeitar ou aceitar o mal ou o bem, à sua vontade.
Chamamos intelecto a essa insinuação boa ou má dos espíritos, porque eles atuam sobre os seres espirituais. Os espíritos perversos estão sujeitos aos menores, sendo degenerado da sua potência superior pela sua prevaricação. Os bons espíritos estão igualmente sujeitos ao homem pela predição quaternária que ele recebeu na sua emanação. Esta potência universal do homem é anunciada pela palavra do Criador, que lhe diz: “Criei tudo para ti; ordena e serás obedecido”. Não há distinção a fazer quanto à sujeição dos bons e dos mais espíritos pelo menor. Se o homem se tivesse mantido no seu estado glorioso, teria servido de bem e de mal ao verdadeiro intelecto dos maus demónios, tal como dos bons espíritos que aí se manifestaram a no primeiro menor e o manifestam todos os dias entre nós. Pela força do mundo, o homem podia confiná-los mais ainda na sua privação, recompensar-lhes ou redobrar o ser figurado pelos cinco dedos da mão, todos diferentes: o médio figura a alma; o polegar, o espírito bom; o indicador, o espírito mau; os dois outros dedos figuram igualmente o espírito e o intelecto demoníacos. Comprende-se facilmente por esta figura que o homem só foi emanado para se opor ao mau demónio, para o conter e combater. A potência do homem era bem superior à do demónio, pois esse intelecto e poder demoníaco demonstrava fraca; assim teria totalmente subjugado os professores do mal e, em consequência, destruído o próprio mal.
Pode-se verificar, pelo que acaba de dizer, que a origem do mal resultou unicamente do mau pensamento seguido da má vontade do espírito contra as leis divinas; e não que o próprio espírito emanado do Criador seja diretamente o mal, ou a possibilidade do mal jamais existiu no Criador.
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Ele surge unicamente da disposição e vontade das suas criaturas. O que falam de outro modo não falam com conhecimento de causa das coisas possíveis à Divindade. Quando o Criador castiga a sua criatura dá-se-lhe o nome de justo, e não é de autor do flagelo que lança para preservar a sua criatura do castigo infinito.
Entrarei agora na explicação da prevaricação do primeiro homem. Esta prevaricação é uma repetição da dos espíritos perversos primeiros emanados; embora para má própria vontade de Adão, mas provém imediatamente do seu pensamento, tendo este sido sugerido pelos espíritos prevaricadores. Mas se a prevaricação foi semelhante na sua origem à dos primeiros espíritos, no quê guardou a influência do conselho dos demónios a favor das ações contraindo uma vontade perniciosa, como ainda foi levado a usar de toda a virtude e potência divina contra o Criador, operando conforme os demónios. Esses primeiros espíritos não tinham tido tempo de fazer, pois o seu pensar a vontade maus foram suspensos pelo Criador, que logo interrompeu e evitou o ato da operação dessa vontade. Perguntar-me-ão: porque não agiu o Criador contra o mal pensamento e à operação iníqua do primeiro homem, tal como fizera a contra os espíritos perversos? As respondestes? A não responderei que o homem, sendo o instrumento proposto pelo Criador para a punição dos primeiros espíritos, recebeu leis de ordem em consequência. O Criador deixou subsistir esse léis de ordem que para ao homem, assim como as que eram inatas ao espírito mau, a fim que ambos seres operassem conforme os seus pensamentos e vontade particulares. Sendo o Criador um ser sem reinante nos seus decretos e dons espirituais, assim como no que promete e no que sustenta, e não falta nas penas e recompensas que atribui a sua criatura segundo o mérito, não poda, sem faltar à sua imutabilidade, suprimir à força ou à ação das leis de ordem recebidas pelo espírito mau e pelo espírito menor, ou seja, o homem. Ele deixou agir livremente os dois seres emanados, não cabendo em si ter nas causas segundas temporais, nem lhes impedir a ação, sem faltar à sua própria existência ao ser necessário e potência divina.
Se o Criador participasse das causas segundas, ser-lhe-ia absolutamente necessário comunicar ele próprio não só o pensamento como a vontade, bou ou má, à sua criatura, ou que a fizesse comunicar através dos seus agentes espirituais emanados imediatamente de si, o que iria dar no mesmo.
Se o Criador agisse desse modo, seria razoável dizer que o bem e o mal vêm de Deus, assim como o puro e o impuro. Não mais poderíamos então nos considerar como seres livres e sujeitos a um culto divino de nossa própria vontade. Renunhos toda a justiça que é devida ao Criador, tornando-nos ciantes que nele não existia nunca nem pode existir a mínima parcela de mal e que só da vontade do espírito, revestido de uma inteira liberdade, poderá sair o mal.
O que prova demonstrativamente a verdade do que digo é que, se tivesse sido possível ao Criador suprimir a ação das causas segundas espirituais temporais, Ele teria remitido que o seu menor sucumbisse à insinuação dos demónios, tendo-o emanado expressamente para ser o instrumento particular da manifestação da sua glória contra esses mesmos demónios. Farei ainda uma pequena comparação a este respeito, embora superficial: assim, se enviásseis um vosso sucedâneo para combaterdes os vossos inimigos, e que estivesse nas vossas mãos faze-lo triunfar, poderíeis deixá-lo abandonado vossos auxílios vós mesmos? Se, pelo contrário, o vosso deputado combate na plena observância das leis de ordem que lhe destes, e ele volta triunfante, recompensa-lo-eis com toda o vosso poder como um amigo fiel às vossas ordens. Mas se, tendo-se afastado das vossas léis, ele volta em vão e cobre-se de oprobio, repele-lo-eis e o condenais sobre ele, falso e perjuro, deve incidir toda a vossa indignação; assim o cobrireis de oprobio. É, tendo recebido ordens de combater os vossos inimigos, o vosso deputado, em vez de atacá-los e estragá-los, se lhes juntasse, e viessem em conjunto dar-vos batalha, procurando por uma traição, fazer-vos sujeito a eles em vez de eles a vós, em que conta o teríeis? Tê-lo-íeis na conta de traidor, e usaríeis da máxima reserva e relação a ele. Ora, eis positivamente qual é a prevaricação do primeiro homem contra o Criador. É por isso que o anjo do
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Senhor diz, conforme rezam as Escrituras: “Expulsemos daqui o homem que teve conhecimento do bem e do mal, que ele poderia alterar-nos nas nossas funções espirituais, e evitemos que ele toque na árvore da vida, e que por este meio viva para todo o sempre”. (A árvore da vida representava o espírito do Criador que o menor atacou injustamente com os seus aliados. Que viva para todo o sempre significa : que viva eternamente como os primeiros espíritos demoníacos numa virtude e numa potência maléfica).
Sem esta punição, o primeiro homem não teria feito penitência pelo seu crime; nunca teria obtido a sua reconciliação; não teria sido a tornara sujeito. Sería permanecido o menor dos menores demoníacos a que se tornara vítimes. Téria mediante a sua reconciliação espiritual, foi pelo Criador agraciado com as mesmas virtudes e potências que possuía anteriormente contra os infiéis à lei divina. Foi através desta reconciliação que ele obteve pela segunda vez poderes favoráveis ou adversos a todos os seres criados. Terá de usá-los com agudeza e moderação, e não mais se servir de seu livre arbítrio a favor dos inimigos do Criador, se não quiser ser para sempre a árvore da vida do mal.
Voltemos à prevaricação de Adão. Se conhecêsseis o género de prevaricação de Adão e o fruto que dela recebeu não mais condariáreis injusta a pena que o Criador nos destinou à nascença e tornou revertível sobre a nossa posteridade até ao fim dos séculos. Adão foi todas as criaturas a última emanada, ele foi criado no centro da criação universal, geral e particular, ou seja, mediante o instrumento proposto para Adão que era todo. Adão, sendo a primeira criatura, deveria fazer-lhe inato o género de prevaricação da primeira maldade quando da chegada da posteridade; pois eram contendo na primeira coisa que viu fim, será toda unicamente espiritual, ao passo que aquele que o Criador exige hoje da sua criatura temporal não é o mesmo que tería que prestado no seu estado de glória, tendo um só fim, ao passo que aquele que o Criador exige hoje da sua criatura temporal tem dois fins: um temporal e o outro espiritual. Eis o que produziu a prevaricação do nosso primeiro pai.
Voltemos à prevaricação de Adão. Se conhecêsseis o género de prevaricação de Adão e o fruto que dela recebeu não mais condariáreis injusta a pena que o Criador nos destinou à nascença e tornou revertível sobre a nossa posteridade até ao fim dos séculos. Adão foi de todas as criaturas a última emanada, ele foi criado no centro da criação universal, geral e particular, e foi mediante esta operação que ele aprendeu a conhecer a criação universal.
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Adão, cheio de orgulho, traçou seis circunferências à semelhança do Criador, isto é, operou os seis atos de pensamentos espirituais que tinha em sua poder para cooperar na vontade da criação. Executou fisicamente e na presença do espírito sedutor a sua criminosa operação. Esperava ter o mesmo sucesso que o Criador eterno, mas ficou extremamente surpreso, e tanto o demónio, ao retirar da sua operação, em vez de uma forma gloriosa, uma forma tenebrosa e totalmente oposta à sua. Não criou, com efeito, senão uma forma de matéria, em lugar de criar uma pura e gloriosa tal como esperava criar como o Criador. Que aconteceu com Adão após a sua operação? Adão refletiu sobre a forma iníqua que dela resultara, e viu que operara a criação da sua própria prisão, ou a confinava mais estreitamente, a ela é à sua posteridade, nas margens das trevas e na privação espiritual divina até ao fim dos séculos. Esta prevaricação não era senão a mudança de forma gloriosa em forma material e passiva. A forma corporal de Adão criou não era realmente a sua, mas uma semelhante àquela que devia tomar após a sua prevaricação. Perguntareis decerto se a forma corporal gloriosa ou dada de Adão foi colocado pelo Criador na semelhante àquela que nos avemos presentemente. A minha resposta é que ela não diferia em nada daquela que tem os homens de hoje. O que as distingue, é que a primeira era pura e indiferente, enquanto que esta nossa presente é passível e sujeita à corrupção. A forma iníqua de Adão criou o homem foi feito mais para se ter manchado com uma criação tão impura. Mas, dirás então, para que serviu a forma de matéria que ele criou? Eu servia-lhe para fazer uma criação de uma espécie de espécie material degradou a sua própria forma ativa, da qual deviam emanar formas gloriosas como a sua, para uma posteridade espiritual e gloriosa que o Criador o tinha introduzido. Esta posteridade de Deus tería sido sem fronteiras e sem fim; a operação espiritual do primeiro menor tería sido a do Criador; estas duas vontades de criação fariam apenas uma, em duas substâncias. Mas porque deixou o Criador subsistir o fruto proveniente da prevaricação de Adão, porque não o destruiu quando amaldiçoou o primeiro homem e toda a terra? O Criador deixou subsistir a obra impura do menor como uma moléstia da geração em geração, por um tempo imemorial, lhe encheste os afilhos do horror de seu crime. O Criador não lhe permitiu que o crime do primeiro homem se extinguisse sob os céus, a fim de que a sua posteridade não pudesse pretender causa de ignorância da sua prevaricação, e que deste modo soubesse que os males e as misérias que sofre e sofrerá até ao fim dos séculos não vêm do Criador, mas do nosso primeiro pai, criador de matéria impura e passiva. (Se me sirvo aqui desta expressão matéria impura é só porque Adão operou esta forma contra a vontade do Criador).
Se me perguntásseis ainda como se fez a mudança da forma gloriosa de Adão numa forma de matéria, e se o Criador foi quem deu a Adão a forma de matéria que ele tomou logo após a prevaricação, responderei que mal ele cumpriu a sua vontade criminosa logo o Criador, todo poderoso, transmitiu a forma gloriosa do primeiro homem numa forma de matéria passiva e semelhante àquela proveniente da sua operação criminosa. O Criador transmitiu essa forma gloriosa precipitando o homem nos abismos da terra donde este extraira o fruto da sua prevaricação. O homem viu então habitar na terra como os restantes animais; antes, do seu crime ele reinava sobre essa mesma terra junto com Homem-Deus, sem se confundir com ela ou com seus habitantes.
Foi depois deste sucesso terrível que Adão reconheceu ainda mais fortemente o tamanho de seu crime. Pôs-se logo a gemer pela sua falta e pediu perdão da sua ofensa ao Criador. Confiou-se no seu Criador e na sua prevaricação. Reconcilia o seu homem em ti e submete-o para todo o sempre. Abençoa também a obra feita pela mão do teu primeiro homem, a fim de não nos sucumbirmos às solicitações daqueles que são causa da minha punição e da punição da obra da minha própria vontade.
“Pai de caridade, de misericórdia. Pai vivificante e de vida eterna; Pai Deus dos Deuses, dos céus e prevaricação. Reconcilia o teu homem em ti e submete-o para todo o sempre. Abençoa também a obra feita pela mão do teu primeiro homem, a fim de não nos sucumbirmos às solicitações daqueles que são causa da minha punição e da punição da obra da minha própria vontade. Pai Deus, dos exércitos celestes e terrestres deste universo; Deus magnífico de toda contemplação; dos seres criados
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e das recompensas inalteráveis; Deus pai de misericórdia sem limites de sua fraca criatura, ergue aquele que geme perante ti e abomina-lhe o seu crime. Ele é só uma segunda da sua prevaricação. Reconcilia o teu homem em ti e submete-o para sempre. Abençoa também a obra feita pela mão do teu primeiro homem, a fim de não nos sucumbirmos às solicitações daqueles que são causa da minha punição e da punição da obra da minha própria vontade. Amém!”.
Farei notar, a propósito desta invocação que Adão fez ao Criador para dele obter a reconciliação, que foi na verdade Adão o primeiro a dar um conhecimento exato da sua posteridade das diferentes virtudes, potências e propriedades que estavam inatas no Criador, para que essa mesma posteridade aprendesse como fora criada para combater pela maior glória de Deus, e que ela lhe prestasse o culto para o qual foi perpetuada na sua criação. Esse culto, que o Criador exige hoje da sua criatura temporal, não é o mesmo que teria prestado no seu estado de glória. O culto que o homem deveria ter prestado no seu estado de glória, tendo um só fim, tería sido unicamente espiritual, ao passo que aquele que o Criador exige hoje da sua criatura temporal tem dois fins: um temporal, o outro espiritual. Eis o que produziu a prevaricação do nosso primeiro pai.
Depois de tudo o que dissemos sobre o género de prevaricação de Adão, esta verdade não pode escapar um instante à visão física animal, espiritual, passiva e eterna do homem, sem chocar frontalmente com os sentimentos poderosos e todas as virtudes imensas e infinitas que são aderentes e inatas nele. Vimos que o seu crime teve um princípio nas solicitações que os espíritos perversos fizeram ao primeiro homem, Deus emanado, a que chamamos Adão ou primeiro pai temporal, ou homem ruivo ou régio, que significa Homem-Deus muito forte em sabedoria, virtude e potência, três coisas santíssimas e inatas certamente no homem, e que não isto se pensamento, a imagem e a semelhança do Criador. Já vimos que o pensamento do crime não viera dele, mas unicamente da sua vontade direta na sua qualidade de homem livre. Com efeito, como já disse anteriormente, o pensamento provém de um ser distinto dele; se o pensamento é são, provém de um espírito divino; se for mau, provém de um demónio. Assim todas as vontades do homem só são operação e ação de acordo com a concepção do seu pensamento.
Isto não se limita a este mundo, nem aos homens em geral, incluo também todos os restantes mundos e todos os seres espirituais que os habitam; sejam aqueles que servem ao Eterno para se comunicar à sua criatura menor, assim como para uma manifestação da sua própria glória em toda a criação deste universo; seja ainda outro qualquer ser ignorado. Os próprios demónios, apesar da condenação que receberam do Criador no instante da sua prevaricação, em nada mudaram de leis a este respeito; gozam plena e inteiramente das suas ações segundo a sua vontade pesante, mas não podem esperar outra comunicação de pensamento divino senão àquela de que se tornariam suscetíveis se modificassem a sua má vontade. Existe, de fato nesta corte demoníaca lei e ordem, horror e abominação, sem comparação com o que é na corte espiritual Divina. O principal chefe dos demónios, que pena atacar sem descanso e obstinadamente a léi do Criador, é a árvore de vida do mal por toda a eternidade; ele comunica o seu mau pensamento aos anjos que lhe estão sujeitos, e estes, conformando-se à sua má vontade, põem esse pensamento em ação e em operação perseguindo o menor. A tarefa deste chefe de abominação consiste inteiramente na submissão dos menores às suas léis obscuras e em fazer com que estas lhes pareçam tão precisas e claras como as que o Criador infundiu à sua criatura.
Não devemos esquecer que todo o pensamento divino que nos vem pela comunicação invisível de um bom espírito ou de um bom intelecto não deve ser considerado como nosso pensamento. É a esta comunicação de pensamento que nós chamamos intelecto, e é segundo esta comunicação que todo o homem opera à sua vontade. Podemos afirmar a mesma coisa da comunicação do mau pensamento ou do mau intelecto nos menores.
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Foi ao tornar-se suscetível da comunicação destas espécies de intelectos bons ou maus que o primeiro homem degenerou da sua faculdade de ser pensante. Quando Adão se encontrava no seu primeiro estado de glória não necessitava da comunicação dos bons nem dos maus intelectos para conhecer o pensamento do Criador e o de príncipe dos demônios. Sendo inteiramente pensante, tanto lia num como no outro. Mas quando foi abandonado às suas próprias virtudes, potências e vontade livre, tornou-se, por orgulho, suscetível de comunicação boa ou má, e tornou-se assim a que nós chamamos pensativo. O próprio Cristo nos provou a enfermidade do menor a este respeito, pois que sem intermediários o tentou o príncipe dos demônios, sob uma forma humana aparente, e operou visivelmente contra ele no monte Thabor a sua vontade demoníaca. Assim, é somente a partir da insinuação do mau intelecto que o menor concebe a sua má vontade, e por este meio é que foi concebida e operada a prevaricação do primeiro homem.
Transmiti-vos o género desta prevaricação numa mesma certidão com que foi ensinado por um dos meus fiéis amigos, tão caro à Verdade e protegido pela Sabedoria. Vistes que este primeiro homem, Deus de toda a Terra, fez realmente uma operação tenível criando uma forma de matéria à sua imagem e semelhança de forma corporal gloriosa. Deu a entender que essa forma que Adão criou não tinha nada de uma forma gloriosa; que não podia ser senão uma forma de matéria aparente e mesmo muito imperfeita, pois era o fruto da operação de uma vontade má. O Criador não podia, com efeito, deixar de punir esta operação, tendo Adão injuriamente abusado da sua potência. No entanto, tendo o Eterno jurado a Adão que agiria com ele em todas as operações que este fizesse no seu nome, não pode evitar cumprir a promessa imutável que lhe fizera de secundá-lo em todas as circunstancias necessárias. Foi dessa promessa que partiu Adão para manifestar a potência que lhe dera mata em relação a tudo o ser espiritual. Fez ao Criador essa promessa imutável que ele lhe fizera de vir coroar as suas obras. Ordenou-lhe, em nome da imutabilidade divina, que cumprisse a palavra verbal que pronunciara pela sua própria e pura vontade do Criador em favor da sua criação de forma material. Deus, dominado por Adão pela força do seu juramento e da sua imutabilidade, acrescentou, segundo a sua promessa, à sua operação espiritual à operação temporal de Adão, embora contra a sua vontade. O Criador agiu conforme o desejo deste, e aceitou coroar a obra encerrando na forma da matéria criada por Adão um ser menor que o pobre Adão, sujeitou a uma horrível prisão de trevas, e tornou por este meio suscetível de ser pensativo e pensante, precipitando-o numa privação eterna ou limitada.
A palavra pensativo vem de uma junção intelectual má ao ser menor, que, pela sua natureza de ser espiritual divino, fora emanado ser pensante, inteiramente na imensidão do Criador. Essa junção intelectual fez degenerar o menor deste primeiro estado e sujeitou-o a ser pensativo, pelas noções intelectuais que recebe da parte do mau espírito; isto faz que o menor só por vezes seja pensante, por junção completa com o espírito bom. Não suprecende, pois que Adão, após a sua prevaricação, se tenha tornado ser pensativo pensante; nem que toda a sua posteridade se tenha tornado tal na sequência dessa mesma prevaricação. Este último faro prova-nos visivelmente os diferentes modos de pensar, de agir e de operar que nós observamos entre a posteridade do nosso primeiro pai temporal. Nós vemos, entre essa posteridade, diferentes nações, diferentes línguas, diferentes cultos divinos ou materiais, e uma variedade infinita de revoluções, tanto em geral como em particular. Ademais, vemos entre os outros do pensamento que concebem, tendendo ora ao espiritual, ora ao material. Isto denuncia em todo posse conta se tem esta posteridade, que desconfia da inspiração boa ou má que lhe vem do bom ou mau espírito nos lugares de trevas que habita. É devido a esta natureza espiritual que chamamos a posteridade de Adão pensativa e pensante, pela comunicação do ser intelectual bom e mau, pelo qual o homem se tornou suscetível de ter envolvido.
Mas hemos que notar aqui a existência de menores que receberam o nascimento e a vida temporal unicamente pela vontade e operação Divina. Esses menores destinavam-se à manifestação da glória
do Eterno, e, embora a sua forma tenha sido emanada da posteridade de Adão, o menor que habitava essa forma era realmente um puro ser pensante sem nunca ser pensativo. E porquê assim? Porque o Eterno lhe manifestava a sua própria vontade pela visão de um de seus deputados, que lhe anunciava, sem nenhum mistério, o que devia fazer para operar exatamente a vontade divina. Uma coisa é a inspiração intelectual, outra o ato de operação visual do espírito; o que procura fazer compreender falando de menores que foram emanados antes de Adão pela simples vontade do Criador, e para manifestar a sua glória.
Nos primeiros tempos da posteridade do primeiro homem, Heli, a quem chamamos Cristo e que reconhecemos sem dúvida como ser pensante reconciliou Adão com a criação. Enoch reconciliou a primeira posteridade de Adão sob a posteridade de Seth. Noé reconciliou a segunda posteridade de Adão, reconciliando a sua com o Criador, e em seguida reconciliou a Terra com Deus. Melquisedeck confirmou estas três primeiras reconciliações abençoando as obras de Abraão e os seus trezentos servidores. Esta benção é uma repetição daquela dada por Deus aos três filhos de Noé, a saber: Sem, Cham e Japhet. Abraão e os seus trezentos servidores, formam o número perfeito quatro, e evocam o mesmo número quaternário que formara com Noé e com os seus três filhos.
É através do número octonário, que resulta da junção destes dois números quaternários, que descobrimos que todas as reconciliações e confirmações de que falamos foram feitas diretamente por Cristo. Pois embora tenham sido operadas pela assistência dos menores emanados para este fim, esses menores, no entanto, foram apenas figuras aparentes que serviram a Cristo para manifestar a glória e a misericórdia do Criador em favor dos reconciliados. Conhecemos com certeza que o número oito é inato da dupla potência dada pelo Criador a Cristo; e é ele que nos ensina que o Messias operou todas as coisas a favor dos homens temporais desta primeira e segunda posteridade de Adão. Conhecemos segunda posteridade de Adão a posteridade de Seth, porque ela se tornou suscetível de reconciliação, mas não incluímos a de Cain, porque ainda falta ser reconciliada e paga ainda tributo à justiça do Criador. Devemos concebê-lo claramente pelo tipo que nos figura a maldição que Cain recebeu do seu pai Noé, depois que a ara pousou em terra. O seu exílio foi fixado a sul: é o sinal inmemorial para os homens, de geração em geração, que a posteridade de Cain não foi ainda reintegrada espiritualmente em todas as suas potências e virtudes pessoais, embora já não se ache em permanência nesta superfície da Terra.
Não vos deixaní ignorar que o sucedido a Cain tinha previamente operado num sinal sensível aos filhos de Noé, que, todavia, não o entenderam. O sinal foi a evasão de corvo, que fugiu da arca antes que se descobrisse a terra. Dirigiu o seu vôo para o sul e não mais voltou a ocupar o seu lugar na arca. Os que tinham ficado na arca não voltaram a vê-lo depois que dela saíram. Esta hora cuidadosamente observada para o vereo de menor de algum modo anunciado. Basta que queira refletir sobre o seu pensamento, o intelecto bom nada quer ver operar sobre a criatura que protege, sem lhe fazer entrever o que deve suceder-lhe de bem ou mal.
Perguntareis: porque é que a primeira posteridade de Adão em Cain não se reconciliou ainda com o Criador? Deus Filho, pela sua paixão e pela efusão do seu sangue, não abriu as portas do reino dos céus a todos os que estavam mortos na privação divina? Assim, esta posteridade de Adão em Cain deve ser incluída na reconciliação. A minha resposta é que Cristo só reconciliou com Deus Pai aqueles que diretamente recebem por inato sentimento o conhecimento da sua divindade, e usam de prática para com Cristo as próprias virtudes espirituais que justos marcaã com o selo. Este selo foi-lhe dado pelo Eterno e operou-se realmente em Cristo, como vo-lo demonstrarei mais claramente a seguir.
Nós não podemos duvidar da virtude e do poder infinito de Deus Filho, que é na verdade a ação direta da vontade do Criador, pai de todas as coisas. Ainda menos poderemos duvidar que toda a criação tenha sido operada de prevaricação. Ainda menos poderemos duvidar de um só seus deputados, que lhe anunciava, sem nenhum mistério, o que devia fazer para operar exatamente a vontade do Criador. Ele conhecia, com efeito, toda a bondade e a operação da que devia anunciar aos homens corporais que são o fundamento de todos os seres criados. É ainda em virtude destas mesmas leis que todos os seres emanados agem na sua vontade na criação de qualquer forma, e pela junção da intenção, da vontade e da palavra que engendra a ação divina, que é certamente o Verbo. Com efeito, para que serviria a intenção sem a vontade, ou a vontade sem a palavra, e a palavra sem efeito ou ação? Foi preciso a intenção, a vontade e a palavra para operar cada uma das três partes da criação, mas foi a palavra que determinou a ação da intenção e da vontade divina. Foi por esta determinação que o Verbo teve lugar: é certamente no Verbo do Criador e em mais nenhum lugar que existe o número ternário da criação genal universal e particular; e que a intenção, a vontade e a palavra produzem um só sentido, segundo a sua intenção, à sua vontade e à palavra, ou a que mostra que o Verbo de criação não é produto de si próprio, pois emana da intenção, da vontade e da palavra do Criador.
A segunda substância visível aos homens corporais consiste no plano que ele próprio lhes traçou, quer pela sua própria instrução que deixou aos seus fiéis eleitos pela sua palavra espiritual divina. Eis sinceramente quanto sei a respeito de tudo o que me foi dito acerca da reconciliação feita por Cristo, reconciliação verdadeiramente preparada pelos eleitos justos deste mesmo Cristo, aos quais ele dera a inspiração intelectual, outra o ato de operação visual do espírito; o que procura fazer compreender falando de menores que foram emanados antes de Adão pela simples vontade do Criador, e para manifestar a sua glória.
A segunda substância visível aos homens corporais consiste no plano que ele próprio lhes traçou, quer pela sua própria instrução que deixou aos seus fiéis eleitos pela sua palavra espiritual divina. Eis sinceramente quanto sei a respeito de tudo o que me foi dito acerca da reconciliação feita por Cristo, aos quais ele dera a inspiração intelectual, outra o ato de operação visual do espírito; o que procura fazer compreender falando de menores que foram emanados antes de Adão pela simples vontade do Criador, e para manifestar a sua glória.
A terceira operação de Cristo faz alusão ao terceiro dia da sua sepultura; ela se fez sobre duas espécies de menores que se acharam mais ou menos confinados em privação divina. Assim esta terceira operação foi dividida em dia ações que substâncias, das quais uma visível aos mortais que o esperavam, a outra invisível a estes mesmos mortais, dado que receberam a graça da sua sepultura. Demoremos a dois géneros de criação temporal, na condição, todavia da a sua intenção e vontade ser de futuro conformes às leis da reconciliação. Refletir sobre esta reconciliação, nela vereis constantemente o número ternário, a saber: Adão, Cristo e o Criador. Por aí vereis que esta tripla essência divina forma claramente os três princípios de toda criação, como segue: a intenção do Pai e a junção do menor espiritual resultante da intenção e da vontade dos dois primeiros 3. Incluo o menor no número das três primeiras essências divinas porque ele mesmo é produto da intenção do Pai, da vontade do Filho regenerador e da ação do Espírito Divino; explicarei isto mais claramente ao falar da quádrupla essência divina, que não quero deixar-vos ignorá-la, embora não a tenha ainda mencionado.
Vou continuar a falar da reconciliação perfeita do menor primeiro homem. Quando o Criador abençoou Adão e a sua obra ímpura, disse-lhe: “Adão, ilustra a tua obra, para que da vida resulte uma posteridade de forma particular na qual estará contida a figura universal geral em figura certa e indubitável, tal como se contém na forma que diriges pelo tempo que te prescreveu”. São as palavras que as Escrituras transcrevem: Crescei e multiplicái-vos. Isto é, quando Adão e Eva saíram do seu primeiro lugar operante, fôi-lhes ordenado reproduzirem formas semelhantes às suas; Adão e Eva executaram esta ordem com tal paixão furiosa dos sentidos da sua matéria, que o primeiro homem comprometeu assim a sua completa reconciliação. Engendraram, no entanto a forma corporal de seus
filhos não podemos duvidar da virtude e do poder infinito de Deus Filho, que é na verdade a ação direta da vontade do Criador, pai de todas as coisas. Ainda menos poderemos duvidar que toda a criação tenha sido operada de prevaricação. Ainda menos poderemos duvidar de um só seus deputados, que lhe anunciava, sem nenhum mistério, o que devia fazer para operar exatamente a vontade do Criador. Ele conhecia, com efeito, toda a bondade e a operação da que devia anunciar aos homens corporais que são o fundamento de todos os seres criados. É ainda em virtude destas mesmas leis que todos os seres emanados agem na sua vontade na criação de qualquer forma, e pela junção da intenção, da vontade e da palavra que engendra a ação divina, que é certamente o Verbo. Com efeito, para que serviria a intenção sem a vontade, ou a vontade sem a palavra, e a palavra sem efeito ou ação? Foi preciso a intenção, a vontade e a palavra para operar cada uma das três partes da criação, mas foi a palavra que determinou a ação da intenção e da vontade divina. Foi por esta determinação que o Verbo teve lugar: é certamente no Verbo do Criador e em mais nenhum lugar que existe o número ternário da criação genal universal e particular; e que a intenção, a vontade e a palavra produzem um só sentido, segundo a sua intenção, à sua vontade e à palavra, ou a que mostra que o Verbo de criação não é produto de si próprio, pois emana da intenção, da vontade e da palavra do Criador.
A terceira operação de Cristo faz alusão ao terceiro dia da sua sepultura; ela se fez sobre duas espécies de menores que se acharam mais ou menos confinados em privação divina. Assim esta terceira operação foi dividida em dia ações que substâncias, das quais uma visível aos mortais que o esperavam, a outra invisível a estes mesmos mortais, dado que receberam a graça da sua sepultura. Demoremos a dois géneros de criação temporal, na condição, todavia da a sua intenção e vontade ser de futuro conformes às leis da reconciliação. Refletir sobre esta reconciliação, nela vereis constantemente o número ternário, a saber: Adão, Cristo e o Criador. Por aí vereis que esta tripla essência divina forma claramente os três princípios de toda criação, como segue: a intenção do Pai e a junção do menor espiritual resultante da intenção e da vontade dos dois primeiros 3. Incluo o menor no número das três primeiras essências divinas porque ele mesmo é produto da intenção do Pai, da vontade do Filho regenerador e da ação do Espírito Divino; explicarei isto mais claramente ao falar da quádrupla essência divina, que não quero deixar-vos ignorá-la, embora não a tenha ainda mencionado.
Nós não podemos duvidar da virtude e do poder infinito de Deus Filho, que é na verdade a ação direta da vontade do Criador, pai de todas as coisas. Ainda menos poderemos duvidar que toda a criação tenha sido operada de prevaricação. Ainda menos poderemos duvidar de um só seus deputados, que lhe anunciava, sem nenhum mistério, o que devia fazer para operar exatamente a vontade do Criador. Ele conhecia, com efeito, toda a bondade e a operação da que devia anunciar aos homens corporais que são o fundamento de todos os seres criados.
Todos os diferentes corpos planetários e elementares residem nos intervalos destes três principais círculos, que distinguimos ainda pelos três principais palácios poéticas divinas que se operam na habitação destes menores tirados de privação divina. Assim com o que diz respeito ao mais inferior dos planos onde reside a parte mais grosseira da matéria, é o lugar destinado ao espírito perverso. Eis quanto pude conceber relativamente ao primeiro homem temporal e à reconciliação que dele esperava, mediante a sua intenção e a sua vontade. Compreendereis melhor ainda quanto vos disser sobre o nascimento de Cain e dos outros filhos de Adão, e da prevaricação que estes operaram. Vede como diferem dos primeiros menores que tinham sido emanados em puro espírito de virtude, e como os primeiros pais de toda a posteridade do menor segundo a sua intenção, à sua vontade e a sua. Resta-me apenas explicar-vos como o menor preside à forma terrestre. A primeira substância da terceira