IV · Noé, o Dilúvio e as Duas Posteridades
porque essa impossível que de espírito a espírito puro e simples houvesse tentações, embates, ou seduções, a vida ser revestidos do espírito de uma forma corporal.
Não se dá com o espírito puro e simples o que se dá com o homem corporal: todo o homem tem a liberdade de comunicar ou de esconder os seus pensamentos aos seus semelhantes; mas, entre os espíritos puros e simples, um ser espiritual não pode conceber um pensamento sem que os outros espíritos espíritos recebam comunicação dele. Tudo se passa de claras e tudo se faz sentir simultaneamente entre os seres libertos da matéria, e o privilégio do espírito puro e simples é o poder ter os pensamentos graças a uma correspondência natural espiritual. Daí nada poder escapar ao conhecimento do espírito, ao passo que se dá o contrário com os menores incorporados numa forma de matéria aparente.
Posto isto, deveis compreender que todo o espírito planetário menor, inferior, e maior é proveniente numa forma corporal para aí operar conforme à sua lei durante o tempo que lhe for prescrito, está sujeito como o resto dos humanos a ser atacado e combatido nas suas operações diárias. Toda a diferença que há entre estes espíritos e o homem é que ele não sucumbem aos combates desencadeados pelos demónios, e por uma razão bem natural: estes seres espirituais não são susceptíveis da corrupção ou da sedução, e as formas que os habitam não são susceptíveis de putrefação. Estes seres atuam com exatidão segundo as suas leis da natureza nas diferentes formas que habitam. Assim a sua reintegração natur espiritual corporal será muito sucinta. O homem, pelo contrário, afasta-se dia a dia das leis espirituais que são as suas, não podendo assim esperar a reconciliação senão ao cabo de um longo e penoso trabalho, e a reintegração da sua forma corporal será operada por meio de uma putrefação inconcebível aos mortais. É essa putrefação que degrada e apaga inteiramente a figura corporal do homem e aniquila esse miserável corpo, tal como o só faz desaparecer e dia da face terrestre, ao privá-la da sua luz.
Tal não sucedeu, por ser ser espiritual, quer à forma corporal de Cristo, Abel, Elias, Enoch. Dir-vos-ei ainda, a respeito de Enoch, que o seu advento no mundo predizia o de uma reconciliação universal; o sinal que surgiu no seu nascimento predizia o que surgiu no nascimento do mesmo reconciliador, e o seu tipo é o das três operações distintas que Cristo devia fazer entre os homens para a manifestação da glória divina, para a salvação dos homens e para a danação dos demónios. As três operações são: a primeira, feita para a reconciliação de Adão; a segunda, para a reconciliação do género humano, no ano 4000 do mundo; a terceira, que deve surgir no fim dos tempos, e que repete a primeira reconciliação de Adão, reconciliando toda a sua posteridade com o Cristo, para máxima mortificação e humilhação do príncipe dos demónios e dos seus aderentes.
Esses espíritos perversos reconhecerão então o seu erro e as suas abominações, permanecendo por um tempo imortal à sombra da morte e na privação divina e nos mais terríveis padecimentos. Será então para eles um trabalho ainda mais penoso e mais considerável que em tudo aquela duração de séculos temporais.
Não entrarei aqui no detalhe ou detalhe do trabalho que devem fazer os espíritos perversos, mas na explicação do número 49, devendo abordar esses dois pontos em outro lugar. Deverei falar-vos da reconciliação ou justa expiação que Cristo devia fazer pela narração das épocas; fico-me assim pelo que vos disse até aqui, e passarei à explicação do tipo de Noé.
Noé é um tipo considerável e impressionante da criação universal, terrestre, geral e particular de todas as formas corporais aparentes. Ele é pelo seu número denário o tipo do Criador, tendo sido o décimo dos patriarcas e o último dos chefes, pai de famílias da posteridade de Adão anterior ao dilúvio, e é ele quem, pela sua posteridade, perpetuou a de Adão, que o dilúvio apagara da face da terra.
Antes de continuar, devo entrar nos detalhes dos motivos que ocasionaram o dilúvio. Os pretensos sábios não concebem a sua possibilidade, e que ignoram porque enviou o Criador esse flagelo
sobre a Terra, não hesitam em negar este fato. Eles põem em ridículo os que acreditam, e têm na conta de personagens imaginários aqueles a quem o Criador prevenira deste acontecimento e do decreto que fizera na sua imensidão. Sem me deter com tão pouco sólidas objeções, dir-vos-ei que esse decreto foi lançado para a manifestação da justiça divina contra os chefes demoníacos que tinham inteiramente revoltado o Criador pelas perseguições com que exerciam sobre os menores. As conquistas imensas que tinham feito sobre estes infelizes menores tinham de tal modo enchido de orgulho os chefes demoníacos que eles se julgaram invencíveis, e até mais poderosos que o Criador.
Deveis facilmente conceber quanto da parte deles era irreflectido este orgulho. Todas essas conquistas provavam antes, com efeito, a fraqueza dos demónios, como vou daqui a entender. Não há de crer que a terra fosse então consideravelmente povoada. Os homens, na sua superfície eram em tão pequena quantidade que não se podia contar mais que um punhado de habitantes, por assim dizer, e, no entanto, para sujeitar esse pequeno número de menores, foi necessário que o chefe dos demónios usasse não só de toda a sua potência, mas ainda de todas as suas infinitas legiões, e mesmo assim, se os menores tivessem feito bom uso da sua liberdade, todas as insinuações de tantos demónios se limitam, pois a ter subjugado a débil posteridade de Caim, e uma parte da de Seth. Seguramente que esta conquista não era capaz de manifestar no demónio uma potência absoluta e superior à do Criador sobre todos estes menores, que se tinham deixado vencer pela vontade deles. De que preço seria para ele uma tal vitória, se as conquistas que devem fazer-lhe um sem poder, e se não pôde podia conquistar a posse e gozo do enquanto quisesse? Assim, forma como se nada tivera conquistado. Travou grandes combates e teve grandes trabalhos e cuidados, e, no entanto nada prospera nem resta sob a sua dominação. Eis quais foram as vitórias dos chefes dos demónios sobre os menores destes primeiros tempos e quais tão as obtidas depois e poderão ser as do futuro.
Quanto mais os príncipes dos demónios usam das suas potências contra o Criador, mais eles são humilhados e punidos. Quanto mais vitórias eles obtém sobre os menores espirituais, mais são atormentados e desesperados, porque o Criador lhes rouba, para grande vergonha deles, a presa, recuperando para a justiça divina os menores que eles haviam subjugado, e não permitindo nunca uma vitória completa desses espíritos perversos ou das suas legiões. São dadas a esses espíritos leis imutáveis, e toda acção, movimento e autoridade potente para aqui segundo a sua vontade contra todos os seres espirituais emanados, assim como contra todos os seres de forma corporal. Mas a pesar de toda a obstinação, nenhuma das suas obras alcança o fim a que se tinham proposto chegar.
Ireis talvez me perguntar qual é o fim a que se propunham os demónios chegar. É a de ultrapassar os limites que lhes são prescritos sobre desejamos não só os subordinados da posteridade de Caim, como os dos diferentes corpos celestes, e lançando ataques esses tipos que aqueles que cabiam à sua potência ordinária; e também fascinar o entendimento dos menores, a fim de poder passar dos olhos deles pelos verdadeiros deuses dos céus a Terra, prometendo obter para eles a sua maior dignidade ordinária; e também fascinar o entendimento dos menores, a fim de poder passar dos olhos deles pelos verdadeiros deuses dos céus; recomendaram-lhes que não fizessem culto a nenhum outro Deus senão a matéria; mas, sou divididas em quatro partes provenientes da convenção dos homens sem a participação faculdades que possui a Divindade, e que, se eles merecem quiserem submeter-se idêntico ao do verdadeiro príncipe meridional, que lhe fazem manifestarem-se as suas potências com sucesso idêntico ao do seu verdadeiro príncipe meridional, que se operavam todos os dias diante vós.
Um príncipe regionário da parte do ocidente, o príncipe maior dos demónios terrestres, dizia a esses menores, mostrando o Sol: “Vede o olho desse grande príncipe universal, eis é a morada daquele com
dirige a extensão que a vossa vida e a vossa imaginação podem aperceber e compreender.” O príncipe regionário setentrional terrestre dizia pelo seu lado: “Instruo-vos, meus queridos aliados, da parte do Altíssimo e poderosíssimo príncipe que vivou e viverá eternamente convosco e conosco, de que tendes a morir o que o vosso e meu mestre vos fiz pela minha palavra. Vinde a face para essa principal morada, mostrando-lhes o corpo lunar; essa morada é onde habitam todos os espíritos maiores como os, inferiores e menores; é lá que se manifesta a glória do nosso grande príncipe; e a ele deveis recorrer para obter dele a grande potência maior dos demónios, que eu vos farei na vossa potência.”
Esses chefes perversos não ficaram por aí; ensinaram, aos pobres menores que tinham seduzido, a forma como deviam operar comunicação com os habitantes dessas moradas que lhes tinham feito considerar como das maiores e as duas mais consideráveis, a saber: a Lua, a maior casa do círculo sensível ou terrestre, e o Sol, a maior casa dos céus; recomendaram-lhes que não fizessem culto a nenhum outro Deus senão a matéria. Eis qual a sua doutrina e quando elas se achassem em conjunção e em oposição perfeita, o que forma os eclipses de Sol e de Lua; porque então obteriam dos principais chefes habitantes dessas casas tudo aquilo de que precisassem, quer para eles diretamente, quer para aqueles que tivessem trazido para a protecção do seu príncipe todo-poderoso.
Os dois outros chefes legionários fizeram um discurso quase idêntico, de modo que aos desventurados menores, seduzidos por todas estas promessas, empregaram com zelo e precisão todas as faculdades e potências que tinham recebido dos chefes demoníacos. Estes homens possuídos fizeram grandes progressos na perversão e corromperam também daí a pouco a posteridade de Caim e uma grande parte da posteridade de Seth.
Observai aqui que os discursos dos chefes demoníacos deviam ser bem cativantes para perverter em tão pouco tempo quase todos os habitantes da Terra; isto deve ser como uma advertência para que estejamos prevenidos e de pé atrás; não há nada que esses espíritos perversos não inventem para corromper o menor e o confundir com eles. É pelas suas acções que nós nos apercebemos do que chamamos vulgarmente o mau e o errado, ou dação a reação que se operam diariamente no universo. Para conhecermos qual a sutileza das tentativas deles, é preciso sabermos que se ocupam sem descanso na degradação das formas e corrupção dos seres espirituais, esperando sempre chegar aos seus fins de uma maneira ou de outra. Perseguem os menores logo que eles começam a entrar neste mundo e que nem podem ainda utilizar os sentidos corporais, o que se pode facilmente notar pelas diferentes movimentos, os gritos e as agitações dos recém-nascidos. Vemos todas estas coisas confirmadas pelo nascimento de Cristo, pelo seu advento numa forma corporal, pelas perseguições e sofrimentos que suportou durante a sua vida; não pôdemos assim duvidar de que os demónios envolvam a forma corporal mal o menor é nela incorporado. Daí veio o uso dos patriarcas exorcizarem a sua posteridade com a bênção, a fim de afastar os espíritos perversos que rodeiam a forma corporal. Daí também resultou a circuncisão do batismo de sangue, pelo qual foi revelada a aliança a Abraão. Daí, finalmente chegamos ao batismo da graça dos recém-convertidos a Cristo.
Poderíeis perguntar-me a este respeito o que teria sido feito do mundo presente se Adão não tivesse leis imutáveis se tornaram superando seduzido sem desejarmo não só os subordinados da posteridade de Caim e Seth, mas as suas questão responderei apenas dizendo que o decreto do Criador era imutável quanto à mudança de forma do menor e a operação segunda desses menos espíritos os que pretendiam acabar de confundir inteiramente o menor com eles, a fim de os oporem à justiça que devia ser contra eles e contra os seus aderentes.
O Criador tomou, a defesa do menor e, por este meio, todas as tentações dos demónios contra as suas leis imutáveis se tornaram impotentes. Eles foram assim contidos numa maior privação, e não lhes ficou mais que uma potência simples espiritual, que Deus não pôde retirar-lhes, para agir superficialmente no universo. É por isso que esta questão respondem apenas dizendo que o decreto do Criador deliberou, e que não podem parar o curso e a duração que o Criador fixou a cada coisa. É por
isso enfim que os demónios não puderam impedir que o mundo seja o que é, depois da mudança da forma gloriosa do homem em forma de matéria.
Direi aqui que não se deve ver esta forma corporal como um corpo real de matéria existente; ela provém unicamente das primeiras essências espirituais destinadas, pelo primeiro Verbo da criação, a conter as diferentes impressões adequadas às formas que deviam ser empregues na criação universal. Não é possível ver as formas corporais presentes como reais, sem se admitir uma matéria inata no Criador divino o que repugna à sua espiritualidade. É chamado Criador, porque de matéria criada, porque a criação provém da sua imaginação; e é porque a sua criação provém da sua imaginação pensante divina que é chamada de imagem.
A mesma faculdade divina que tudo produziu, tudo tornará ao seu princípio, e assim como toda a espécie de forma seu princípio, assim ela se dissipará e reintegrará no seu primeiro lugar de emanação; o que será tratado adiante.
Vistes as felonias iníquas que os demónios tinham operado contra os menores das primeiras posteridades para os desviar do culto do Deus, e uni-los ao príncipe meridional, ou maior chefe divino. Deveis ainda saber que esses espíritos perversos lhes tinham sempre falado sob aparências espirituais, dizendo-lhes que seriam eternos como eles; que, sendo abandonando a sua forma corporal não desviarão de existir; e lhes seria sempre possível fazerem-se conhecer e sentir pelos seus semelhantes. Mas foram os menores seduzidos com belas aparências pelos demónios que os tinham arrastado às mais horríveis abominações.
Perguntarei, no entanto eu, apesar da força de tanta perseguição demoníaca contra o primeiro povo, ou a posteridade de Caim e de Seth, não terá havido alguns homens justos que se defenderam da inão demoníaca acima desse ano intelecto e se afastaram inteiramente das abominações em que caíram os outros menores. Não podeis negar que tenha havido alguns, quanto mais não fosse os novos patriarcas que são seguidos de Noé, tal qual o número denário o completa. Mas se vos fixesse a mesma pergunta acerca dos homens de hoje, e vos pedisse que me achásseis um justo neste século, ficaríeis em embaraço, e, com efeito, não o encontaríeis, é que os homens provenientes desde a última época de Cristo, não tendo mais diante deles as manifestações divinas que se operam nos primeiros séculos, perderam de vista o conhecimento do grande culto divino, já não vendo mais se perpetuarem os prodígios da justiça do Criador, que se passavam diariamente sob esses primeiros povos e em Israel.
Os homens de hoje entregam-se facilmente à dúvida, que apenas resulta dos seus maus hábitos e da sua ignorância. Não é pois surpreendente que os intelectos demoníacos façam hoje entre os menores um progresso ainda mais considerável que no passado. Não é verdade que, quanto mais nos afastamos de um objeto, mais ele se apaga da nossa vista, e que, se nos afastamos de uma coisa a que estávamos ligados, ela vai insensivelmente da nossa memória, a ponto de ser muito difícil, para não dizer impossível, retorná-la com o mesmo gosto e o mesmo ardor que no primeiro princípio? Pois bem, quero com isto fazer-vos conceber o que precisamente sucedeu aos homens deste século: eles afastaram-se de todo o conhecimento divino sob pretexto de uma pretensa fé cega que lhes fez perder se pessa muito bem ter as obras da fé sem se a própria fé. Direi mais, que as obras que produzem a fraca fé, que é inata em todos os homens, não podem considerar-se como pertencentes verdadeiramente à fé: a fé do homem não pode ser viva e perfeita, se não é acionada por um agente superior, e é então que o homem produz obras que já não são senão para mais. A quem manifestam toda a força da sua fé. Abandonaram as ciências espirituais para se entregarem ao negócio e à cupidez dos bens da matéria; isto cobriu-lhes os olhos com um véu tão espesso que se acham quase todos na mesma cegueira em que estava a posteridade de Caim e a maior parte da de Seth.
Sabemos que esta cegueira das primeiras posteridades, assim como a de Israel, era uma repetição notável da privação em que se achava Adão durante todo o tempo em que o Criador exerceu a sua justiça contra ele, esta inação espiritual é a punição de todo o espírito que se afasta do Criador, porque nenhum ser espiritual em privação divina pode operar o culto divino enquanto não tiver reconciliação com o Eterno a sua reconciliação, tal como no tocante de Adão se não representa adão e vários representantam depois dele pelos seus contínuos de adão e vários representantam dos profetas e dos diferentes representantes que viram seu tipo do que está para acontecer. Um tipo é o enfim superior à profecia, pois os profetas apenas faziam ameaças sobre o futuro, que podem retirar-se pela misericórdia do Criador e pela mudança da conduta do povo sobre o qual recaía a profecia, ao passo que um tipo anuncia um acontecimento infalível e que se acha sob os desígnios imutáveis do Criador.
Não podemos ignorar que esta posteridade tenha sido atingida e punida horrivelmente, assim como o povo de israel, pelo abandono que tinham feito do Criador e do culto para o qual haviam sido formados.
Perguntarei agora: em que situação estava o mundo quando do advento de Cristo entre os homens? Qual era o culto que eles prestavam ao Criador? Não tinham feito do Templo um mercado público? Que outro Deus conheciam além da matéria? De onde vinham as suas mercadorias? Estes seus negócios materiais não os mergulhavam na idolatria? E tanto mais fácil de acreditarmos nesta falta quanto vemos repetir-se aos nossos olhos entre os homens de hoje. Admite-se entre eles que se esqueça o Criador para enriquecer temporalmente. Estes homens representam-nos perfeitamente as duas épocas passadas, a saber: a da posteridade de Adão e a de Israel. Vemos fisicamente a mesma cegueira, a mesmo corrupção, os mesmos hábitos onde nada teiram validar com bens divinos, já não vendo mais se perpetuarem os prodígios da justiça do Criador, pois bem como vendo divino e a aliança com o grande culto divino. O império dos demónios triunfa pois sobre estas posteridades, pois a posteridade desses homens só ouvia falar diretamente Aquele que opera toda a reconciliação espiritual, Aquele que nem cria a diferença de pensamento e de vontade não anuncia a estes homens que havia o livre e espiritual, e que, ao assim não fosse, os demónios não os teriam perseguido tão fortemente?
Quanto não fez este ser regenerador? Quanto não disse ele para dissipar a insinuação demoníaca de que os menores estavam impregnados? Quanto não sofreu ele para rechaçar os ataques que os demónios faziam contra os menores? Não mostrou ele a esses menores que o que eles tinham por verdadeiros deuses não vinha deles, e nem cria a diferença de pensamento e de vontade não anuncia a estes homens que havia o livre e espiritual, e que, se não fosse assim, os demónios não os teriam perseguido tão fortemente?
É pela ignorância de todas estas coisas que os menores emanados desde a época de Cristo repetiram as abominações das primeiras posteridades. Eles negaram a sua alma, e, negando a sua alma, negaram a Divindade, porque não se pode admitir um Criador sem admitir criaturas puramente espirituais. A posteridade de Caim tinha levado o erro até esse ponto, de não admitir nem Deus nem alma, nem alguma parte da posteridade de Seth admitia uma alma, mas não a do Criador divino, apenas o reconhecia como divino, mas não no se dirigia, e admitia o universo eterno, coisa que a posteridade de Caim não admitia, negou o primeiro pai os instruíra do princípio de todas as coisas criadas, fazendo-lhes professar a fundação dos metais, e pelas formas que eles próprios lhes davam compreendiam que o universo e tudo o que ele encerra se formara e tomaria ao seu primeiro princípio de indiferença.
Se considerarmos Israel não veremos aí as mesmos erros e os mesmos crimes que existiam entre essas primeiras posteridades? No entanto este povo é que deu o testemunho da manifestação da glória e da justiça e das potências divinas. Foi para ele que o Criador prodigou todas estas maravilhas,
e, no entanto, ele caiu sob a potência dos demónios, e chegou à ousadia de repudiar o Criador eterno para preferir falsos deuses. Os restos infortunados desse povo provam, pela sua conduta, as prevaricações que caíram os seus pais. O culto que exercem mostra que são deus conduzidos por falsos princípios e pelo príncipe das trevas. Eles são escravos da figura do criminoso da lei, mas não o são da verdade da sua alma e das leis do Criador. Eles só se deixam sujeitar pela cupidez dos bens da matéria.
Apesar desta conduta errada dos homens provenientes da posteridade de Caim, Seth e Israel, e de aqueles que vieram depois de Cristo, vemos em todos os tempos manifestar-se a misericórdia do Criador. Embora a sua criatura permaneça sob o pesar da justiça divina, ele nunca a priva da sua indulgência; pelo contrário, procura todos os meios que julga necessários à sua satisfação, quer temporal, quer espiritual.
Ismael é um desses que nos dão as provas mais vivas dessa misericórdia divina. Como primeira posteridade natural de Abraão, ele era o símbolo da eleição de Israel; a sua fuga para os países estranhos representa a tirania da terra de seu pai, representa a privação divina; a sua fuga para os países estranhos, fora da terra de seu pai, representa a expulsão de Israel da terra prometida ao Criador e a sua dispersão por toda a terra. As suas duas Agar apenas levara como alimento para ambos um pão e uma bilha de água, segundo o testemunho das Escrituras, e, tendo consumido tudo no primeiro dia, encheu-se de desespero ao ver o seu filho Ismael quase a expirar de fome e de sede. Mas, nesta aflição, não esqueceu o Criador; o anjo do Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: “Mulher! Que recurso ao Eterno para sua expiação das tuas faltas foi escutada: ergue-te, pega o teu filho, e segue-me”. Tendo o anjo também não a esqueceu o Criador; o anjo do Senhor apareceu, abençoou os dois em nome do Eterno e ensinou-lhes o caminho que deviam seguir para irem fixar-se na terra que o Criador lhes destinara, dizendo a Agar: “O Eterno tomará conta de teu filho; ele prosperará na terra em tua presença, e dele nascerão doze príncipes da terra, doze chefes de tribos”.
Este exemplo mostra-nos que devemos confiar no Eterno, seguros de que ele nunca deixará de nos tornar perfeitamente felizes.
Não falarei mais aqui de Ismael, devendo falar dele na explicação dos tipos e das épocas sucedidas temporalmente. Vou enfim entrar na explicação do grande tipo de Noé que já vos anunciei.
Tendo as posteridades de Caim e Seth levado já as suas abominações não só ao abandono do Criador e do seu culto, mas até a cometer as fornicações mais imundas, e nas quais não se pode pensar sem estremecimento, o Criador previu a corrupção destes seres prevaricadores e contra os demónios que os haviam seduzido. Suscitou a Noé, seu fiel eleito, a disposição de construir uma arca em madeira de cedro, na qual ficaria encerrado o testemunho da justiça divina que ia exercer ele mesmo contra os seus habitantes. Essa nave tinha o nome de Arca porque flutuava sobre as águas, e as suas fundações tinham a forma semelhante à quilha de um pato. Essa arca não tinha mastro nem velas, nem remos; todas estas coisas não têm terias servido à arca sem aos pólos não havia a justa de pequena de pósse e a destruição total sobre o que pretendiam acabar de confundir inteiramente o menor com eles, a fim de os oporem à justiça que devia ser contra eles e contra os seus aderentes a sua perda. A duração igualmente dos mantimentos que devia levar para os animais racionais e irracionais que seriam encerrados como ele na arca. Esses mantimentos não eram coisas raras e delicadas como serviam a mais para farinha e outras coisas escolhidas e suscetíveis de agradar ao gosto. Eles consistiam apenas em simples frutos ordinários da terra, e sobreu ainda mais de dois terços na arca quando todos saíram dela; é que Noé e toda sua família tinham ficado tão atemorizados pelo horrível castigo de que tinham sido espectadores, que mal puderam pensar na sua vida corporal.
Noé viu, com efeito, manifestar-se a justiça divina sobre o corpo geral e sobre o corpo particular, permanentes no círculo universal, que ficaram todos durante este tempo em privação espiritual divina; e Noé foi tão marcado por este acontecimento que não pôde mais que se ocupar da vida espiritual dos animais racionais e da vida corporal dos animais irracionais. Foi por isso que lhe ficaram tantos mantimentos após o dilúvio.
Durante esta época do dilúvio, Noé fazia o verdadeiro tipo do Criador; ele flutuava sobre as águas como o Criador antes da separação do caos, segundo as palavras do Gênesis. O véu aquático grosseiro que cobria toda a Terra, e assim a escondia da face do Criador, faz alusão aos céus supracelestes, a que a maior parte dos filósofos chama: céu cristalino, que separa o Criador da corte divina da sua criação universal temporal.
A obscuridade em que ficaram os corpos luminosos durante este acontecimento faz alusão à privação da luz espiritual dos corpos católicos (sic para os católicos) que não haviam ainda recebido leis de ordem para agir segundo a resolução do Criador para servir de ornamentos e de agentes no círculo universal da Criação. Esta privação da claridade nos corpos católicos repete-se diariamente pela concepção de uma forma humana no corpo de uma mulher. Nós dividimos a carcaça inteira de uma forma humana em três partes, a saber: 1ª a cabeça; 2º o tronco; 3º e os ossos ilíacos. Não se pode discordar que estas três partes sejam diferentes nas suas figuras e nas suas proporções; elas são muito distintas umas das outras, e pode-se muito bem distingui-las sem fazer fratura em nenhuma, apenas rompendo os ligamentos cartilaginosos que unem todas as três; de modo que essas três coisas fazem só uma por esta íntima ligação. No entanto elas têm cada uma propriedades e faculdades diferentes, e essas diferentes faculdades fazem uma perfeita alusão aos três reinos que conhecemos na natureza: animal, vegetal e mineral. Estes três reinos estão contidos na forma terrestre, assim como as três partes do corpo humano de que falei estão contidas no invólucro que rodeia toda a forma. Não faço aqui menção aos quatro membros: os dois braços, as duas coxas com as suas pernas, porque não passam de aderências ao corpo e devem tratar em outro lugar das suas propriedades particulares. Estas três partes principais do corpo humano fornecem-me ainda uma ocasião para vos explicar as três ações principais que deram explosão a todos os corpos católicos. A primeira ação é a descida do menor geral na forma corporal geral terrestre; a segunda é a junção do espírito divino maior com o menor ou alma elemental; e terceira é o limite da criação que se propõe espírito maior fixou ao menor para a sua prevaricação.
Não se pode conceber quais eram as penas que sentia Adão, quando após ter sido inteiramente livre e sem entraves, pela sua natureza de ser puro, espiritual, pensante, se achava numa prisão de matéria e sujeito ao tempo. Ele levou, com efeito, quarenta anos a gemer pelo seu crime, refletindo sobre aquilo que fora no seu primeiro princípio, sobre aquilo em que se tornara e sobre aquilo que viria ainda a ser. Com os seus lamentos, dispôs-se a abter a misericórdia do Criador, e obteve-a, com efeito, ao cabo de quarenta anos de penas e de sofrimentos necessários para operar a sua expiação. Ele só podia obter a sua reconciliação ao cabo desse tempo que devia nascer, dele e de Eva, o holocausto espiritual que generou e produziu sobre a Terra um sujeito da divina mais própria a apaziguar a cólera do Criador, e que era Abel, segundo o que lhes tinha sido prometido por Sodoma e Gomorra, que deram os seus nomes a essas horríveis prevaricações. Vede agora se é
Vemos claramente que o corpo não passa de um caos para a alma ou o menor, pela maneira como o menor vive a sua vida temporal no corpo da matéria em punição do crime do primeiro homem. Pois não vive ele metade dessa vida na têmue luz que não emana do reflexo da luz espiritual divina, e a outra metade nas trevas medonhas? E ao que nós chamamos luz e trevas elementares, ou dia e noite; mas quando o menor é separado da sua forma caótica, deixa para ele de ser questão de trevas temporais elementares: goza inteiramente da luz ativa espiritual e inalterável que lhe é inata, como no-lo ensina o Criador, que o Espírito lê, vê e conhece tudo pela sua própria claridade, sem recurso a outra luz que não a sua própria.
Porque então, dirás vós, rezam as Escrituras que os réprobos viverão em trevas e serão privados de toda a luz? Responderei que as trevas com que as Escrituras ameaçam os réprobos não significam uma privação de claridade e de luz, mas somente uma privação de ação espiritual divina na imensa circunferência celeste onde os verdadeiros espíritos reconciliados irão fazer a sua feliz reintegração. Não pode ser outro o significado das Escrituras neste ponto, pois todo o espírito, seja ele bom ou mau, leva sempre consigo a sua própria luz. Se decifrasses que a explosão do caos se fez como vo-la relatei, bastaria atentar no anjo que abre a porta da gruta aos sete pais ou aos animais a dispô-los no cimo do monte, para logo se testemunhar a manifestação da justiça divina, e verdes claramente que é a verdadeira figura da saída do espírito maior do invólucro católico, que expôs face ao Criador todos os seres de criação temporal.
Vou agora vos falar do tipo figurativo desta arca misteriosa. Esta arca misteriosa, na qual estavam contidos os diferentes seres animais, explica realmente o invólucro caótico que continha todo o princípio de criação de formas corporais. Os quarenta dias durante os quais estes animais foram privados da luz elementar, figuram claramente a operação física que os homens são obrigados a sofrer na sua reprodução corporal. O seu fruto não pode ter vida passiva, ativa, espiritual, senão ao cabo de quarenta dias. Não adiantam mais a este respeito; as operações da natureza podem amplamente instruir-vos. A descida e a junção das águas rarefeitas com as águas grosseiras vos lembrarão a descida do primeiro menor no corpo material terrestre; e os quarenta dias que estas águas rarefeitas levaram a descer representavam os quarenta anos de penas e padecimentos que Adão viveu na sua alma e no seu espírito após a sua prevaricação.
Não se pode conceber quais eram as penas que sentia Adão, quando após ter sido inteiramente livre e sem entraves, pela sua natureza de ser puro, espiritual, pensante, se achava numa prisão de matéria e sujeito ao tempo. Ele levou, com efeito, quarenta anos a gemer pelo seu crime, refletindo sobre aquilo que fora no seu primeiro princípio, sobre aquilo em que se tornara e sobre aquilo que viria ainda a ser. Com os seus lamentos, dispôs-se a abter a misericórdia do Criador, e obteve-a, com efeito, ao cabo de quarenta anos de penas e de sofrimentos necessários para operar a sua expiação. Ele só podia obter a sua reconciliação ao cabo desse tempo que devia nascer, dele e de Eva, o holocausto espiritual que generou e produziu sobre a Terra um sujeito da divina mais própria a apaziguar a cólera do Criador, e que era Abel, segundo o que lhes tinha sido prometido por Sodoma e Gomorra, que deram os seus nomes a essas horríveis prevaricações. Vede agora se é
razão para admirar que o Criador tenha exercido a sua justiça tanto sobre os animais racionais como sobre os animais irracionais. O Criador faz a mesma coisa ao punir as duas cidades que acabo de mencionar e ao lançar sobre a Terra o dilúvio; sabei ainda que o fogo que o Eterno fez cair sobre as duas cidades anuncia aquele que deve dar fim à criação universal, como explicarei adiante.
Para que vos convençais da reconciliação de Adão se fez ao cabo de quarenta anos, bastará considerardes a esterilidade em que ficou mergulhada a Terra durante quarenta anos após a permanência das águas à sua superfície; ela ficou como um cadáver; e, maior vegetação, só retomou ao seu primeiro vigor e as suas primeiras propriedades de reprodução apenas voltar a ser abençoada pelo Criador. Foi igualmente só ao fim de quarenta anos de sofrimentos e de penas temporais que Adão e Eva foram repostos numa potência espiritual divina temporal. O flagelo das águas fez-se sentir por tanto tempo na Terra para ficar como um exemplo imemorial para o resto dos mortais desses tempos, a fim de eles transmitirem à sua posteridade, de geração em geração, a lembrança do crime do primeiro homem e do da sua posteridade até Caim, e da sua posteridade segunda na verdadeira figura da saída do espírito maior do invólucro católico, que expôs face ao Criador todos os seres de criação temporal.
Eis como este castigo alastrou-se por toda a Terra e separou a criação universal pelas chamas do fogo espiritual divino. Ele repete ainda o que qual estavam encerradas as três essências fundamentais de todos os corpos que deviam servir à formação deste universo. Essas essências estavam numa indiferença que as tornavam susceptíveis de receber a impressão dos agentes exteriores, para operar segundo a intenção do Criador. Este terrível acontecimento assinalava duas coisas muito importantes; a primeira a punição geral de toda a criatura corporal e a do espírito vital menor; a segunda: que seja qual for a criação que provém diretamente do Eterno, e que era impossível a qualquer outro ser criar um tal universo com todas as maravilhas que nele se contêm.
Quando Noé saiu da arca, falou assim ao resto das criaturas que estavam com ele: “Escutai, Terra, e vós, homens, entendei-me e compreendei-me com o entendimento do vosso ser espiritual, e não com o da vossa matéria. Digo-vos a todos que o Criador é o soberano senhor de tudo o que existe no círculo universal; que tudo veio dele e tudo está sujeito à sua justiça. A sua bondade divina renunciou todos para testemunhas da manifestação da sua glória invencível, exercida contra toda a Terra e contra todo o resto dos seus habitantes. Louvemos do fundo da nossa alma esta repetição que nos veio da misericórdia para a criatura que ele nele tinha a sua confiança. Que os despojos deste triste flagelo, expostos aos vossos olhos, façam que, ao contrário dos vossos predecessores, aprendais a nunca pecar contra o espírito criador de todas as coisas, e a nunca abjurar da sua suma potência eterna. Eles consideraram o corpo geral terrestre com o eterno, nunca houve tido princípio e não devendo ter fim”. Consideraram ainda que ele dera sozinho princípio à todas as coisas, e admitiram que todos os seres de proviram, não conhecendo eles próprios nada superiores à forma corporal, e não se tornando por seres espirituais divinos.
Eis o que fez desabar sobre eles um flagelo tão terrível. O Criador permitiu que os seus cadáveres ficassem espalhados e confundidos com os cadáveres das bestas brutas, para mostrar quão irritado estava com aquela conduta tão estúpida e tão criminosa, e visa que faculdades e das insinuações dos prevaricadores, o que nos prova que a justiça divina jamais se apague se sobre a Terra. Considera, Terra, considerai, homens, este rigoroso, sobretudo ao ver que o Criador não fez nenhuma diferença entre os homens da matéria e os animais. Sim, ele tinha-os reduzido ao mesmo nível; é justo que o Criador lhes fizesse sentir quão tamanha era a sua potência, pois eles a tinham negado ao par; era justo que fossem confundidos com as bestas, pois não reconheciam para eles outra origem que não fosse a das bestas. Que espírito empedernido, quereis extrair um ser puramente espiritual de princípios espirituosos que não podem senão produzir formas materiais, que ainda permanecerem no nada se um ser espiritual divino não as tivesse de li tirado! Que contração viu operou o demônio
sobre a Terra para reduzir os seus habitantes na ignorância! Cuidai de vós, e fugi dos exemplos que repugnariam ao vosso ser menor espiritual. Defendei-vos das ciladas que vos lançarão os vossos semelhantes, e que, a permanecerem vós no perpétuo no temor do Criador, vos precipitariam na senda geral da matéria; isso provocaria sobre vós e sobre a vossa posteridade a maldição do Eterno, e vós e os vossos descendentes seriais dispersos por todas as nações que no porvir habitarão as três regiões terrestres. Eu, Terra e homens, o que vos diz o Criador pela minha boca. A minha palavra é simples e pura. A Verdade enunciada pela meu Verbo é sem ornato e sem artifício, que dispensa para se fazer entender por aqueles que a desejam de bom fé. Ela dá-se a si mesma ao Homem do Desejo, ela lhe fala-lhe naquele que tem dó não tira nada da matéria; ela é una, ela é sem limites, ela não mudará jamais; ela é toda espiritual, sendo emanada diretamente do Criador. Ela não pode comunicar-se aos animais irracionais, mas somente aos menores espirituais, emanados como ela do princípio eterno. Assim, a besta bruta ficará agora impune do seu desvario, porque ela não é susceptível de recompensa. O primeiro exemplo deve ser imemorial entre todos os habitantes dos céus e da Terra. Eis o que tenho a dizer-vós da parte do Eterno. Um maior que eu, que deve nascer entre as vossas posteridades, vos instruirá mais particularmente da justiça e da recompensa que reserva para a criatura no fim dos seus tempos, segundo a confiança que depositou no seu Criador”.
Após esta exortação, Noé partilhou a Terra entre os seus três filhos, que lhe falarei na sequência da explicação do tipo de Noé, da sua arca e do dilúvio.
Os menores razoáveis que estavam encerrados na arca e o tempo que eles aí permaneceram em privação do elemental, figuram-nos a retirada dos menores reconciliados e dos justos, sob as sombras da grande luz, onde repousarão eternamente com um intervalo de tempo a espera, não tendo mais que se operar neles nenhuma ação temporal. Embora estes seres justos sejam considerados nas suas aflições e assegurada a sua reintegração, tal não impede de sejam consideráveis os seus tormentos por não poderem gozar perfeitamente da vista do espírito consolador que lhes fala. Eles sentem, todavia, que tudo o que passam é justo, relativamente à prevaricação, do primeiro homem, e à promessa feita pelo Criador na sua primeira posteridade que nenhum da sua posteridade serão reintegrados no círculo divino antes do grande combate que deve travar-se, pelo verdadeiro Adão, ou Régio, entre a Terra e os céus, com maior vantagem para os menores. O lugar onde repousam os justos chama-se filosoficamente círculo racional ou círculo saturnário. É apenas ele que serve de escabelo para os círculos supracelestes e é a ele que as Escrituras fazem como lugar de repouso dos Santos-Padres reconciliados com o Criador. Daí ficam sabendo que não basta, para a reintegração dos seres divinos no Criador, que eles acionem o operam no círculo sensível terrestre. É de toda a necessidade que eles acionem espiritualmente nos espaços do círculo universal, até terem terminado o curso que o Criador fixou aos menores emanando-os de si e emancipando-os da sua imensidão divina.
Eis o segundo tipo que fazem os animais racionais que estavam encerrados na arca, e que foram salvos do flagelo da justiça divina segundo as suas boas obras espirituais temporais.
Noé, que após dizer reposso ou consolo operou ao sair da arca um culto divino, de dez em dez dias, durante o tempo da sua permanência nela, e tornar com a verdadeira figura daquele que operaria os menores divino para a reconciliação do primeiro menor e da criação universal no modo de forma, tal como Adão mudara de forma. Foi por este motivo que Noé operou a reconciliação no primeiro dia de cada dezena. Foi também ele que ele dez, e foi isto o que verdadeiramente Noé repetiu. Ele intercedeu, pela sua invocação, justo da misericórdia divina do Criador, para que se reconciliasse a Terra com o resto dos habitantes que haviam obtido a sua graça.
Noé obteve a graça que pedia, e a Terra foi reconciliada com os homens, sendo reposta ao cabo de quarenta anos no seu primeiro princípio de vida vegetativa. “Sim, Eterno, disse Noé ao Criador, os homens reformados que confiaste à minha condução, sob a tua proteção, estão claramente instruídos de que podes mudar num instante, se te apetecer, a face da criação universal, como acabas de mudar a da terra reduzindo-a ao nada. Sim, Criador todo-poderoso, a tua justiça é perfeita e como tal celebrada por toda a criatura espiritual, tanto celeste como terrestre. O espírito mais justo perante ti não pode suportar a luz sem temer, e com perfeita razão certeza permanece dente vale de lágrimas mostrarem-se dignos da sua reintegração divina sem o socorro da tua graça? O Criador vivificante! Vivifica o corpo geral sobre o qual a tua criatura deve operar o teu culto divino, a fim de que com no vemos como o receptáculo geral ou altar universal sobre o qual deve ser oferecido o holocausto pacífico da reconciliação”.
O corpo saiu da arca antes que se descobrisse a Terra para nos lembrar a prevaricação de Caim e profetizar claramente a de Cham. Dirigiu-se para o sul para mostrar-nos o lugar do retiro de Caim e para onde se retiraria Cham e toda a sua posteridade. Ele não voltou a juntar-se aos da arca para mostrar a separação que o Criador fez da posteridade de Caim e dos filhos de Seth, e ainda para mostrar-nos o abandono que os homens deviam um por punir fariam do culto divino para se votarem unicamente à matéria.
A pomba que saiu e circundou pela primeira vez em torno da arca, e lá voltou a pousar, é a verdadeira figura do espírito evangélico divino que dirigia e conservava a arca e tudo o que ela conservava; e que dava parte a Noé da vontade do Criador, a respeito da manifestação da sua justiça. Esta pomba figura ainda o espírito comparheiro dos menores que os envolve com o seu círculo espiritual, para defendê-los do choque demoníaco que os espíritos perversos operam a cada passo contra eles. A forma e a proporção da arca dão, pelo seu produto, um número que indica ser esta casa a morada da confusão, como vedes a seguir.
A arca tinha de comprimento 300 côvados A arca tinha de largura 50 côvados A arca tinha de altura 30 côvados --------------------- 380 côvados = 11
Este número onze opõe-se a qualquer espécie de forma corporal completa, análoga ao corpo terrestre e a tudo o que dele provém.
A reconciliação universal profetizada a Noé, antes que se descobrisse a Terra, pelo sinal espiritual vulgarmente chamado arco-íris. Com efeito, os sete principais espíritos universais apareceram-lhe num grande sinal de fogo de diferentes cores, e formado em semicírculo, com uma extremidade no cimo do monte Ararat e a outra extremidade pousada na Arca. Noé contemplou este sinal com grande atenção, não podendo ler as intenções e a vontade do Criador sem um exame muito particular do que se podia conter nesse sinal profético. Foi então que a pomba abandonou inteiramente a arca, até relegou Cham para a parte sul, lugar para onde Caim fora já relegado. Deu a Sem a parte do oriente que fora dada a Abel e a Japhet coube a parte setentrional que fora a de Seth. Quanto a Noé, permaneceu com a sua mulher no centro da Terra. Esta divisão da Terra, feita em diferentes ocasiões, em
em três partes ou regiões, anuncia-nos bem que a forma da Terra é triangular: mas me farei melhor compreender quando explicar os princípios da matéria aparente.
Eis o que disse ainda Noé antes de retir os habitantes da arca, para inteiramente em ocupar cada um o lugar lhe era destinado: “Lembra-te, Terra, e vós, animais racionais e irracionais, que o terrível flagelo que estes testemunhas serviu de punição aos crimes contra o Criador; e, ao mesmo tempo, lembrai-vos da misericórdia e da bondade divina que vos preservaram desse terrível castigo. As águas que se elevaram até às portas do firmamento, e que ocultaram toda a natureza aos vossos olhos, representam-vos o nada em que estava a natureza universal antes de o Criador ter concebido, na sua imaginação, a operação da criação, tanto espiritual como temporal. Eis fac-nos ver claramente que tudo provém imediatamente da ordem do seu pensamento e da sua vontade, e que tudo o ser espiritual divino provém diretamente da sua emanação eterna. A criação pertence só à matéria aparente, que, não resultando de nada, senão da imaginação divina, deve regressar ao nada; mas a emanação pertence aos seres espirituais que são reais e imperecíveis”.
Todos os espíritos quer maiores, quer menores, existirão eternamente numa personalidade distinta, no círculo da Divindade. O Eterno é chamado Criador, não só por ter criado, mas também porque Ele não cessa, nem cessará nunca, de criar virtudes e potências de ações espirituais a favor dos eleitos que lhe são fiéis. Estes seres espirituais são certamente inatos na Divindade, como o seminal da reprodução das formas é inato no corpo geral e particular do universo. Não podeis recusar à Divindade este privilégio de emanação espiritual, pois tendes diante dos olhos uma prova física de que essa lei subsiste na reprodução das formas. Não percais nunca de vista o que fez por vós o Criador. Vós sois as verdadeiras testemunhas da manifestação da sua glória e da sua justiça. Não admitais nunca senão ele como motor criador de tudo o que vos aparece nos vossos olhos corporais e espirituais; convencei-vos de que nada existe de tão verdadeiro, de tão indispensável e de tão necessário, como esta verdade espiritual, para defender-vos dos modernos abismos da matéria, tendo todo o cuidado de não fazerem considerar pelos homens como os verdadeiros deuses, vivificantes, viventes e de vida eterna. Permanecei em paz sob a proteção do Criador na proteção da Terra que vos cabe a cada um em partilha; sede os guardiões dessa herança, assim como o será a vossa posteridade, de geração em geração, até ao fim dos séculos. Ai daquele de vós que apagar da sua memória os preceitos, leis e mandamentos que o Criador dá pela segunda vez à criatura universal e àqueles que estão inatos em todo o ser espiritual da sua emanação! Entre estes seres espirituais, os maiores são aqueles de que falei mais acima, no daquele de vós que apoiar-se na figura da Justiça divina. Este apagado operante fixou a metade do tempo juntando ao primeiro intervalo, um intervalo idêntico de seis horas para o curso da sua operação. Não devo deixar-vos ignorar que o terceiro destes sábios recebeu a dom da animísmia universal, geral e particular, a que junta o título de honra do conhecimento do Verbo potente que o Criador empregou para toda a sua criação temporal. Assim este último operava pela conservação dos corpos humanos enquanto fosse a vontade do Criador, e dar a duração, e dai é que saiu a arte de curar radicalmente todos os males da matéria e das formas corporais.
Mais, sendo Adão obtido a sua reconciliação, tal não impede que sejam considerados os seus mais perfeito do que aquele que tinha posse perfeitamente do conhecimento perfeito do divino, abster-se-ia certamente de condená-lo.
posteridade que o culto do Criador que se regenerou e que foram oferecidos holocaustos puros ao Eterno, só pelo interesse da sua glória e santificação dos menores. Cada um desses sete filhos de Noé recebeu do Criador um dom particular. Um tinha o dom de operar espiritualmente, ao modo do Criador, para vantagem e instrução dos seus irmãos; outro o dom de profetizar; outro ainda, da inteligência das formas corporais; e assim de seguida. Foi por intermédio da sua vontade que conseguiu Noé pôr a salvo a sua posteridade e a posteridade futura, e por meio dela ofereceu ao Criador, e em todos os tempos, holocaustos. Eis ainda as Escrituras falam amplamente dos diferentes dons que o Criador pôs em certos homens reconciliados, com toda a interpretação, no modo do Criador, para a interpretação das diferentes operações que devem efetuar dentro dos diferentes graus de reconciliação. Foi por isso que cada um destes operadores devia ter dado conta dos sublimes mistérios da sua reconciliação.
Não nos enganemos sobre o culto que estes operadores prestavam ao Criador. Ele era essencialmente espiritual; e quando a operação se efetuava com ostentação, este culto degenerava em idolatria, e levava à idolatria as nações que dele eram testemunhas. Não nos enganemos também sobre os abusos que se faziam destas operações: estas eram boas em si mesmas, mas pertenciam só àqueles a quem o Criador tinha concedido a interpretação, e era um terrível castigo prevaricar nelas, tomando-as por divinas. Eis o que os menores espirituais devem evitar com cuidado; só a sua boa e fiel conduta os pode salvar do flagelo da justiça que se manifesta a seu respeito não é o de admitir como a deidades os menores divinos espirituais. Os homens não nasceram, com efeito, para serem adorados, mas apenas para servir de modelos aos outros homens nos seus deveres e na sua reconciliação. O primeiro exemplo deve servir-lhes de exemplo igualmente sujeito a uma lei, a um cerimonial exato e a uma fé inviolável na observância dos tempos e das estações.
Eis o que fez desabar sobre eles um flagelo tão terrível. O Criador permitiu que os seus cadáveres ficassem espalhados e confundidos com os cadáveres das bestas brutas, para mostrar quão irritado estava com aquela conduta tão estúpida e tão criminosa, e visa que faculdades e das insinuações dos prevaricadores, o que nos prova que a justiça divina jamais se apague se sobre a Terra. Considera, Terra, considerai, homens, este rigoroso, sobretudo ao ver que o Criador não fez nenhuma diferença entre os homens da matéria e os animais. Sim, ele tinha-os reduzido ao mesmo nível; é justo que o Criador lhes fizesse sentir quão tamanha era a sua potência, pois eles a tinham negado ao par; era justo que fossem confundidos com as bestas, pois não reconheciam para eles outra origem que não fosse a das bestas.
Não se julgue, no entanto que os mesmos flagelos que caíram sobre as cidades antigas, cairão hoje sobre as nossas cidades, embora elas sejam igualmente criminosas e construídas pela mão dos homens. Assim como tudo no poder do Criador que continuamente nos recompensas as suas insinuações dos menores, também só ele no seu poder exercer novos castigos e flagelos desconhecidos dos prevaricadores, o que nos prova que é impossível subtrair-se à justiça divina. Observe-se ainda que essas cidades antigas foram assim atingidas só porque o número perfeito setenário dos homens justos deixara de existir sobre a terra, tendo o Criador retirado a sua maior parte; e trata-se em bem do aviso que o Criador dá ao abandonar os homens daquele tempo à sua infeliz sorte. Estes flagelos, aliás, tinham sido anunciados pelo flagelo geral que caiu sobre a posteridade de Caim sobre a maior parte que não encontraram outros justos nessa posteridade de Seth além do bem-aventurado Noé e seus filhos.
posteridade que o culto do Criador se regenerou e que foram oferecidos holocaustos puros ao Eterno, só pelo interesse da sua glória e santificação dos menores. Cada um desses sete filhos de Noé recebeu do Criador um dom particular. Um tinha o dom de operar espiritualmente, ao modo do Criador, para vantagem e instrução dos seus irmãos; outro o dom de profetizar; outro ainda, da inteligência das formas corporais; e assim de seguida. Foi por intermédio da sua vontade que conseguiu Noé pôr a salvo a sua posteridade e a posteridade futura, e por meio dela ofereceu ao Criador, e em todos os tempos, holocaustos.
Não surpreende que Noé tenha tido esta segunda posteridade a que chamou: homens-deuses da Terra, ele próprio fizera o tipo do Criador. Também não admira que essa posteridade tenha só operado obras puramente espirituais e não materiais-temporais, pois não tivera de prevaricar; outro sera adotado inteiramente as insinuações dos primeiros tempos. Mas refletir sobre as cidades antigas, e contemplemos a mesma coisa no presente século. Nada refletir sobre as cidades primeiras, facilmente reinar a mesma cupidez que aí reinava nos primeiros séculos.
Não nos enganemos com o culto que os filhos de Noé prestavam ao Criador; nada se confundir com o de Sem ou de Seth. Não podemos admira que essa posteridade só operado obras puramente espirituais e não materiais, pois quando a operação se efetuava com pompa, ela degenerava em idolatria, e levava à idolatria as nações que dele eram testemunhas. Considera, Terra, considerai, homens, este rigoroso, e era um terrível castigo prevaricar nelas, tomando-as por divinas. Eis o que os menores espirituais devem evitar com cuidado; só a sua boa e fiel conduta os pode salvar do flagelo da justiça que se manifesta a seu respeito não é o de admitir como a deidades os menores divinos espirituais. Como poderíeis então não querer que o culto fosse igualmente sujeito a uma lei, a um cerimonial exato e a uma fé inviolável na observância dos tempos e das estações?
Sabei que, sendo o culto divino de uma natureza mais diferente da cultura da terra, não é surpreendente que os filhos da segunda posteridade de Noé tenham ordenado todas as coisas relativas ao seu culto espiritual de um modo diferente dos seus predecessores, que, como já disse, operavam um culto misto do espiritual e do material temporal terrestre. Esta razão mesma não vos provará que a segunda posteridade de Noé devia ser mais instruída e mais experimentada no culto divino que a primeira posteridade? Aquele que queira exercer dois talentos no mesmo tempo não poderá exercer nenhum na perfeição; mas aquele que tem só um talento e que exerce com precisão é garantido que chegará a possuir-lo mais perfeitamente do que aquele outra possua. Eis porque os filhos da segunda posteridade de Noé excederam os seus pais talentos no mesmo tempo género os seus irmãos mais velhos. Mas deve, admirar-nos que estes homens-deuses tenham estabelecido um cerimonial e formalidades diferentes para o culto que tinham a cumprir. Não cabe ao homem temporal a terrestre condenar este uso, ele tivesse esse perfeito conhecimento do culto divino, abster-se-ia certamente de condená-lo.
A segunda posteridade de Noé deu estamos falando fazia o grande tipo dos sete principais espíritos superiores divinos; e, pela sua grande virtude, sua potência e sua sabedoria, fazia ainda o tipo dos sete principais seres espirituais maiores que operam para a conservação e ordem deste universo. Se estes dignos sujeitos eram do Criador destinados apenas a operar espiritualmente, não admira que a sua
conduta em todas as suas operações espirituais seja um mistério para os homens temporais terrestres ocupados unicamente no culto da terra. Esses sábios, no seu estado de justiça divina, relativamente à sua missão espiritual, não podiam ser limitados por um tempo de trevas temporais, como são os mortais infelizes. Essas trevas chamadas tonte não teriam existido para o homem, se o primeiro pai não tivesse havido uma posteridade de Deus, como em intenção do Criador, todas as ações dessa posteridade se teriam operado independentemente das trevas da natureza elemental, todavia a prevaricação de Adão fez dele nascer uma posteridade material e homens de trevas.
Mas a segunda posteridade de Noé foi verdadeiramente uma posteridade de Deus, concebida como foi sem o excesso dos sentidos da matéria. Assim, embora esses seres fossem encerrados numa forma corporal, gozavam das mesmas virtudes e potências de que gozava Adão no seu estado de glória. Ocupados estes homens apenas das operações divinas que tendiam à maior glória do Criador, e tinham livres fixados os instantes em que deviam operar as suas ações espirituais segundo o querer da Divindade. Eles recebiam ao mesmo tempo todas as leis de ordem imutável que teriam de observar, em seguida, nas suas diferentes operações, e cada um segundo o seu dom particular, como vou detalhar.
O primogênito desta posteridade fez no seio dos seus seis irmãos o tipo do espírito intérprete; recebeu para este efeito o dom de interpretar para os seus irmãos os dons resultantes das suas operações; foi também ele que começou primeiro a operar a profecia e a virtude que lhe vinham do Criador. Não se separou nunca do seu Noé, até o levar o Eterno, após ter acabado o seu tempo prescrito de ações espirituais divinas temporais. Este primeiro sábio fixou o intervalo da Justiça divina. Este segundo operante fixou a metade do tempo juntando ao primeiro intervalo, um intervalo idêntico de seis horas para o curso da sua operação. Não devo deixar-vos ignorar que o terceiro destes sábios recebeu o dom da animismia universal, geral e particular, a que junta o título de honra do conhecimento do Verbo potente que o Criador empregou para toda a sua criação temporal. Assim este último operava pela conservação dos corpos humanos enquanto fosse a vontade do Criador, e dar a duração, e dai é que saiu a arte de curar radicalmente todos os males da matéria e das formas corporais.
Há que saber que um intervalo não pode fixar um tempo continuado e perpétuo senão quando o começo do segundo intervalo lhe fixou a extensão, e é quando os dois intervalos se acham reunidos que eles se comportam como a metade de um tempo, porque um tempo é composto de quatro intervalos. Foram assim os quatro primeiros nascidos da segunda posteridade de Noé que tomaram os quatro intervalos exercendo a sua operação espiritual cada durante seis horas. Os dois primeiros operários firmaram cada um o seu primeiro dia, exercendo a sua acção espiritual durante seis horas. Os dois primeiros operários firmaram cada um o seu primeiro intervalo circular entre nós. Embora fosse um ser pensante no qual nós existiram quaisquer dele os instantes em que deviam operar as suas ações espirituais segundo o querer da Divindade. Eles recebiam ao mesmo tempo todas as leis de ordem imutável que teriam de observar, em seguida, nas suas diferentes operações, e cada um segundo o seu dom particular, como vou detalhar.
Não se pode admitir um tempo para a noite e para o repouso na actividade espiritual, e os intervalos que os sábios marcaram para as suas operações maravilham-nos pelo que podem contar-se relativamente à sua natureza de seres pensantes, e o dia temporal não podia ser um limite para o seu espírito, o que já é numa natureza corporal. Pelo contrário, traçando assim os seus intervalos espirituais davam a entender que para o próprio espírito que traçada os intervalos temporais. As reações por onde se espelhavam esses sábios não souberam distinguir esta divisão espiritual do tempo da divisão ordinária que se faz diariamente segundo a natureza criada; foi isto que as lançou em grosseiros erros de cálculo e as fez tomar um desses intervalos espirituais por um dos dois temporais de nós conhecidos.
Mas antes de entrar neste detalhe ou instruir-vos das diferentes dons que receberam os três últimos nascido da segunda posteridade de Noé. O quinto desta posteridade recebeu o nome de plantação, de cultivação terrestre. O sexto, o do conhecimento do caráter literal e hieroglífico celeste, terrestre espiritual, superior, maior inferior e menos divino. Este conhecia ainda perfeitamente todos os caracteres hieroglíficos de todo o ser espiritual demoníaco. O sétimo recebeu o dom de construir edifícios espirituais para a glória do culto Criador, como haviam recebido Adão, Seth, Enoch e Noé, que elevaram alturas ao Senhor.
Moisés deu-nos a conhecer que tinha o mesmo dom para a construção da arca misteriosa, do altar e do tabernáculo, assim como para os minerais, as madeiras e todos os outros materiais que foram preparados e trabalhados para efeito das operações espirituais de Moisés e de Bethzaleel. Moisés traçava o plano dos edifícios e Bethzaleel executava-os. Os três últimos sábios, filhos de Noé de que acabamos de falar, mostraram na sua operação espiritual a mesma conduta que tinham mostrado os quatro primeiros; mas como os seus dons eram diferentes, as suas intenções e as suas palavras não podiam ser as mesmas. Os quatro primeiros, que fixaram o dia por meio dos seus intervalos de operações, não devem confundir-se com aqueles que estão depois, no número par. As suas escrituras, Melquisedec, Elias e Cristo, tendo dos dois lados arrebatados do centro da Terra pelo fogo espiritual, e os outros dois forma-no em seus próprios corpos de glória material divina, tal como o prova bem claramente Cristo com a sua ressurreição de homem divino.
Vimos anteriormente que Noé tivera a seu cuidado a emancipação dos três filhos que companham a sua posteridade, a saber: Sem, Cham, e Japhet. Estes três homens limitaram-se a dispor e a cultivar a porção da terra que lhes coubera, a fim de prover ao seu sustento e da sua família presente e futura. Eles permaneceram, por consequência, um longo intervalo de tempo sem mediar nas instruções espirituais que lhes dera Noé; eles não se preocuparam com a divisão do intervalo das horas, dos dias, das semanas, dos meses e dos anos. Enfim, todo o seu culto divino se limitava, a saber, que existia um ser de suma-potência sobre todas as coisas criadas, a que chamavam Aborin 8, que quer dizer, em língua Noechita, Espírito duplamente forte, pelo qual o Criador operou todas as coisas; e que se de menores chamamos filosoficamente à ação divina do Criador. Esta palavra, embora noechita ou chinesa, é a mesma que profetiram outora os Judeus, e que tinham perfeitamente provir da sua língua. Os Hebreus o culto deste a única palavra, e considera-no hoje, porque sempre houve alguém entre eles possuindo uma parte do conhecimento desta primeira língua. Adão e a sua posteridade também pronunciaram esta palavra, sendo só os primeiros a falar a língua hebraica, que a nação espiritual da posteridade de Noé.
Faço aqui uma distinção entre a palavra Judeu e a língua judaica, por um lado, e por outro a palavra Hebreu e a língua hebraica. A palavra Judeu significa povo; e a língua judaica significa a linguagem da santidade do Espírito divino que dirige a operação destes homens justos. A palavra Hebreu significa a podridade de um homem sábio, a que as Escrituras chamam Heber; e a língua hebraica significa a linguagem da posteridade de Heber. Mas esta língua é muito diferente da língua judaica,
porque não há, entre essa posteridade de Heber, nenhum desses verdadeiros homens justos ou judeus, e porque, desde esses tempos remotos, ninguém foi suscitado pelo Eterno para instruir perfeitamente essa posteridade da verdadeira língua por ela perdida, embora a julgue possuir e segui-la muito fielmente.
A língua Hebraica original é muito simples e sem a pontuação da convenção humana, que foi introduzida posteriormente. Os verdadeiros Judeus reconheciam que a origem alfabética desta língua vem da parte celeste e não da convenção dos homens. Eles acham-lhe tantos os caracteres desta língua claramente escritos no arranjo das estrelas, e foi do lá que os tiraram. Os Hebreus servem-se das mesmos caracteres que os Judeus, mas as diferentes pontuações, os acentos e as marcas que acrescentam a esses caracteres fazem-nos pronunciar de uma maneira oposta ao que são na sua pura natureza da simplicidade divina. Sirvo-me aqui da palavra Israelita, embora o nome do Israel não fosse ainda conhecido no tempo de que falo: este significa forte contra Deus; e Israelitas significa fortes em Deus. Eis porque dois este nome aos sábios noechitas da posteridade de Noé. Tudo isto nos ensina, que a palavra Hebreu significa que dizer confusão como no-lo ensina perfeitamente o nome de Israel, dado a este povo por ordem do Criador, e que significa forte contra o Eterno. Tudo neste mundo é mais agradável e mais forte para o Criador que a oração ou a invocação dos Judeus, e nada mais indiferente e mais rapina que o coração do Hebreu: isto não deve surpreender-vos, pois o povo já não possui as leis divinas e contenta-se com o cerimonial de uma tal que lhe foi arrebatada ignominiosamente. Prossigamos o detalhe das contas da posteridade de Noé.
Noé passou o primeiro século com a sua posteridade, e instruiu-a durante 130 anos com os seus cuidados temporais e espirituais. Educou os sete filhos homens dessa posteridade, segundo a lei do Criador. Entregou os quatro primeiros nascidos verdadeiros pensantes à única Divindade. Estes quatro sábios consagraram-se só ao culto divino, sem nenhuma participação do culto terrestre. Os três outros tiveram dois cultos para operar: um temporal terrestre, e outro espiritual simples; que dizer que eles tão participaram da operação do grande culto divino que era reservada aos seus quatro irmãos mais velhos. Com efeito, o prenogênito desta posteridade fazia o tipo dos grandes sacerdotes e dos grandes sacrificadores vindouros: foi o setênio destes homens desse tempo que ricochà o primeiro sacrifício de Adão feito por Caim, seu primogênito, na posse do irmão Abel. O prenogênito de Noé era, na sua qualidade de intérprete espiritual, o primeiro chefe de toda a espécie de operação divina; foi o primeiro a pegar no incensário e fez a oferenda do holocausto ao Criador. Para a oferenda do holocausto na consumação do holocausto de expiação e de reconciliação. Ficava só no altar do sacrifício, com os seus três irmãos imediatamente a seguir, em linha reta, como principais assistentes à grande operação divina. Isto o repetiu Moisés, instituindo as suas operações por Aarão, Ur e Bethzaleel. Aarão repetiu a mesma coisa servindo-se dos filhos para auxili-lo no seu trabalho. Foi seguida a mesma ordem no serviço do templo de Salomão, e a Igreja de Cristo mostra-o ainda hoje no sacrifício que oferece no altar de purificação, pela mão, intenção e palavra do celebrante, assistido pelo primeiro, segundo e terceiro diáconos. Deveis ver bem aqui que todas as ações desta natureza realmente espiritual chegaram pela sucessão dos tempos até nós; e que estas operações espirituais divinas não vêm da imaginação dos homens, mas certamente do Criador eterno.
Há que vos instruir agora do mandato que os três últimos filhos desta segunda posteridade de Noé receberam da parte do seu pai. Foi-lhes mandado visitar as três regiões terrestres conhecidas por Ocidente, Sul, Norte, e habitadas havia 141 anos pela primeira posteridade de Noé, chamada Sem, Cham, Japhet. Mal receberam as instruções necessárias para a sua missão e confirmaram a vontade do Criador com as suas operações espirituais divinas, partiram com as suas irmãs, que haviam tomado por mulheres, e de que tiveram posteridade. Não tinham necessidade de levar com eles quaisquer mantimentos, e acharam na terra com que prover à sua alimentação e a todas as suas necessidades corporais.
O mais velho dos três filhos foi, com a mulher e a posteridade, habitar a parte meridional; o segundo, a parte do ocidente, com a mulher e a posteridade; o terceiro foi, igualmente com a mulher e a posteridade, habitar a parte setentrional ou do Norte, conforme a primeira língua. Eles foram ter cada um a estas diferentes partes do mundo para perpetuar entre os irmãos, assim como na sua posteridade, o cerimonial do culto divino, a fim que esses povos não perdessem inteiramente de vista o culto que deles exigia o Criador, relativamente à parte espiritual que cada um tinha recebido. No entanto, geraram tão grandes prodígios espirituais, que esses povos aceitaram sem dificuldade as instruções, os conselhos e as lições espirituais divinas espalhados pelos três homens sábios em cada região do mundo a missão e a ordem que tinham recebido. No entanto, necessário começar por pregar a esses nações uma doutrina puramente temporal, a fim de situar-se ao seu nível, e elevá-los em seguida do culto temporal ao culto espiritual. O que pôde efetivamente fizeram, tal como vo-lo darei a conhecer.
Estes primeiros povos não tinham acertado entre eles as horas, os dias, os meses, os anos e as estações; eles viviam quase à maneira das bestas, só que reconheciam um ser superior a eles, como já disse. Toda a sua ciência temporal e espiritual resumia-se à diferença de da elemental e as trevas, a que nós chamamos noite, e compreender que as trevas dos animados sucediam ou repouso o que o dia devia servir para a sua ação ordinária temporal nas operações terrestres.
Os três homens sábios, vindos para instruí-los, empregaram entre eles uma medida de tempo, que acertaram pela divisão espiritual que os seus quatro primeiros irmãos tinham feito para as suas quatro primeiras operações do grande culto divino, isto é, estabeleceram nestas nações tão suas operações primeiras e à elemental dia ou noite que serviam para os primeiros homens, sendo o caso, e que pois isso devesse manter sob a natureza espiritual, e por consequência, na sua semelhantes, para os aproveitar a operações terrestres ou divinas se deixar, entreprecisos, aniquilarem-se como as suas formas corporais, seres passivos e aparentes, destinados a serem confundidos na imaginação divina que os fazia surgir tal como eram. Assim que estes sábios dispuseram os seus discípulos por via das instrumentos, propuseram-se admiti-los no trabalho do culto espiritual. Para este efeito, mandaram-nos observar as meditações, as orações e o cerimonial conveniente à preparação das diferentes operações que deviam fazer, e escolheram entre esses discípulos os quatro indivíduos mais capazes e mais instruídos, e que tinham maior desejo de chegar ao conhecimento das ciências divinas que os seus mestres possuíam, mas naqueles um ser de suma-potência sobre todas as suas coisas criadas, a que chamavam Aborin 8, que quer dizer, em língua Noechita, Espírito duplamente forte, pelo qual o Criador operou todas as coisas servindo-se dos filhos para auxili-lo no seu trabalho. Foi seguida a mesma ordem no serviço do templo de Salomão, e a Igreja de Cristo mostra-o ainda hoje no sacrifício que oferece no altar de purificação, pela mão, intenção e palavra do celebrante, assistido pelo primeiro, segundo e terceiro diáconos. Deveis ver bem aqui que todas as ações desta natureza realmente espiritual chegaram pela sucessão dos tempos até nós; e que estas operações espirituais divinas não vêm da imaginação dos homens, mas certamente do Criador eterno.